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My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

Abominalidades #2

Se calhar é abusar apropriar-me duas vezes da mesma rúbrica, mas não consegui evitar, foi mais forte que eu. Há por aí muita alminha a esfrangalhar-me os nervos. Creio que o próximo passo, a seguir ao encetado pela Miss F de criar uma rubrica em que pública e abertamente são abordados os mais vis traços de personalidade, é criar um movimento estilo Aurora Dourada. Que acham? É decapitar essa gente toda. Então? Boa ideia, não é?

Se calhar é melhor parar com isto, não vá a Sapo desalojar-me, e ser uma sem-abrigo blogosférica não é algo que precise de momento. Se calhar a decapitação é um bocadinho radical. No fundo, no fundo, até são boas pessoas, não fazem por mal (que é só a desculpa menos plausível, usada em todas as circunstâncias que não se tem nada de melhor para dizer).

É bom frisar que qualquer similaridade com a realidade é pura coincidência. Se por acaso têm uma prima 98º grau com tendência para fazer o que vou reproduzir de seguida, estejam descansados, eu não conheço a vossa prima. Infelizmente há muita gente com tendência para dizer:

- NEM SABES O QUE ME ACONTECEU!

E nós inocentemente perguntamos:

-A sério, o quê?

E já nós estamos a sentir um certo frémito, uma comichão interessante, uma gula por novidades boas, quando a outra pessoa diz:

- Eu gostava mesmo de te contar, mas não posso.

O nosso rosto desaba numa desilusão gigante e respondemos dois tons acima do nosso:

- Porquê?

Ao mesmo tempo que contorce o rosto numa expressão de dor fingida, a outra pessoa chuta:

- Não posso mesmo...

E ali ficamos nós, indecisos se espancamos a pessoa em questão ou nos deixamos estar sossegadinhos a remoer a raiva.

É mais ou menos como dar um doce a uma criança e tirar-lho propositadamente.

Mas não fica por aqui. Equiparada a este espécime odiável, está claramente a espécime que dramaticamente diz:

- Essa pessoa não é quem tu pensas.

Uhh! E agora?! Hã? Essa pessoa não é quem tu pensas. Não sei quem é que um dia foi a alma original e criativa que se lembrou de dizer isto pela primeira vez, mas deixem que vos diga devia ser um génio.

E nós ficamos ali a olhar para a pessoa em questão, à espera que ela especifique. Mas a pessoa deixa-se ficar quieta a olhar para nós, enquanto abana a cabeça horizontal e cadenciadamente. Até que nós, fartos daquela parvoíce perguntamos:

- Então porquê?

- Eu não te posso dizer mais nada, mas tem cuidado.

Porquê? Porque é que têm a mania de criar este sigilo, este mistério, esta coisa que me corrói por dentro?! Sabem porquê? Agora eu podia ser mazinha e não responder. Mas como eu sou uma pessoa abundantemente generosa, passo a explicar. O indivíduo abominável gosta de despoletar emoções. Geralmente não aconteceu nada. É só para causar aquele espanto. Geralmente não tem nada de útil para fazer. Se bem que causar emoções é uma coisa gira...