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My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

Leituras #1

Há poucas coisas nesta vida que me dão mais prazer de escrever que sobre livros. Vá, se calhar é exagero. Mas gosto de opinar e ler opiniões. Opiniões sinceras. Perceber se o que achei do livro vai de encontro ao que o resto do mundo achou. Pois bem, há muito tempo que andava com ideias de trazer aqui para o blogue o tema leituras, mas depois acabei por pôr o blogue de parte (tornei-o privado, inclusiver) e agora que o recuperei das cinzas, achei que era a altura ideal para trazer as leituras que vou fazendo para o blog. Aceitam-se sugestões, ideias, o que for... Estou de braços abertos para trazer novos inquilinos para a estante blogosférica que se vai construir aos poucos e poucos, se quiserem contribuir com as vossas opiniões, melhor!

Para começar, escolho eu o primeiro livro que vai ser abordado aqui: O Advogado, de John Grisham. Escolho-o porque ja andava a toda uma vida para ler qualquer coisa de John Grisham e porque gostei. Acho que também não há muito por onde desgostar. Não é daqueles livros que ou se odeia ou se adora. Ou se gosta muita ou se gosta menos. mas gosta-se.

Por enquanto, vou ser eu a escolher os livros, mas depois giro, giro era eu dar à escolha entre vários, baseado de antemão nas vossas opiniões e depois lermos em conjunto durante mais ou menos um mês o livro mais votado.

Por enquanto, a experiência piloto decorre nestes molde, eu escolho o livro, lei-o e opino. Se correr bem, se houver um feedback positivo, avançamos para uma espécie de Clube do Livro. Escolhemos um livro em conjunto, lemo-lo em conjunto e opinamos em conjunto (tudo em conjunto e muito democrático).

Então, vamos a isto. Eu já sabia que John Grisham escrevia policiais, até me constava que era mais ou menos semelhante a Ken Follet e ia com as expectativas bastante em alta. Grande erro. Quase sempre que levo as expectativas muito elevadas, desiludo-me. O livro que li dele era muito bom, mas eu pensei que fosse ainda melhor. Pessoalmente, gosto mais de Ken Follet.

 

Em relação a'O Advogado de John Grisham, passa-se em Washington e começa de uma maneira mais ou menos surpreendente. Michael Brock, o personagem principal, chega à Sociedade de Advogados onde trabalha, Drake and Sweeney, e acaba por ser feito refém, juntamente com mais alguns advogados da firma onde trabalha, por um sem-abrigo. A questão é: porque raio um sem-abrigo faria refém vários advogados? Por dinheiro, por vingança? Ao longo do livro, e segundo o meu entender, vamos percebendo que não foi exatamente nem por uma coisa, nem por outra. O homem sem-abrigo, que é morto durante o rapto pela polícia, é motivado pelo facto de ter sido expulso do apartamento onde vivia (de forma mais ou menos ilicita, uma vez que pagava uma renda, mas não existia nenhum contrato formal). No entanto, a expulsão também não é feita de forma completamente legal e é movida por um dos advogados da firma. O edifício onde este sem-abrigo vivia, na altura estava ocupado também por outros sem-abrigo, que à semelhança deste homem pagavam uma renda e acabaram por ser expulsos ilegalmente. Quando Michael Brock descobre todos os trâmites que estão por detrás do rapto, isso acaba por dar origem a um tumulto emocional interior que o leva a abandonar a Drake and Sweeney e consequentemente fortes prespetivas de progressão na carreira de advogado e de aumento no salário, e a dedicar-se a ser advogado de rua, tratando dos problemas legais dos mais desfavorecidos. Em traços gerais é esta a história do livro.

A minha opinião. Gostei do facto do livro abordar pormenores juridicos sem se tornar excessivamente complicado para leigos na matéria (como eu), a personagem principal foi-me assim um bocadinho indiferene, gostei, mas nada de excessional. De quem eu gostei mesmo mais foi Mordecai, o advogado com quem Michael Brock passa a trabalhar quando se torna advogado de rua. Gosto de personagens com personalidades fortes e Mordecai tem-na. Só o nome. Imagino-o enorme, com uma voz grave,... Gosto do espaço para onde Michael Brock vai trabalhar, despretensioso, pequeno, atafulhado de processos. Onde tudo o que é sem-abrigo e desfavorecido pára. O enredo não é nada de muito complexo. Vocabulário e construção frásica também simples. Não é um clássico da literatura, é um best-seller daqueles que se lêem bem, por exemplo, na praia. Um bocadinho lento demais, às vezes. Acho que foi esse o problema. Houve ali qualquer coisa que não me fez dar o clique e agarrar-me ao livro desde a primeira página.

E é isto, se andam à procura de um livro para as férias, para o Verão, para a praia,... Esta é uma ótima escolha.

 

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