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My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

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Leituras #3 A Rapariga que roubava livros

A partir do momento em que acabei "A Rapariga que roubava livros", este livro entrou diretamente para o meu top. Não sei muito bem o que é que hei-de escrever. Á medida que o ia lendo, ia salientando um outro aspeto mentalmente. Mas foram tantos, que neste momento parece que tive uma amnésia súbita.

Personagens

As personagens estão espetaculares. Suscitam reações e emoções. E acho que é esse o objetivo de um livro. Não sei exatamente de qual delas é que gostei mais. O autor juntou várias personagens e deu-lhes características humanas. Tornou-as pessoas. Gostei da Liesel, do Rudy, do Max, de Rosa e Hans. Todos por igual, mais ou menos.

Enredo

O livro, no fundo, reúne várias histórias de uma rapariga, a Liesel, que roubava livros e viveu em Molching durante a 2ª Guerra Mundial. São histórias soltas de uma rapariga que foi levada para Molching e acolhida por uma família porque a mãe era comunista, do irmão que morreu doente, dos livros que roubava, dos jogos de futebol que jogava com o Rudy, da ida do pai para a guerra, do judeu que a sua família decide acolher, das idas para a cave mais segura da rua para fugirem dos ataques bombistas... Mas que depois acabam por se interligar e formar uma só história.

Outro detalhe que faz toda a diferença: o narrador. Quem narra toda a história é a Morte. Assim dito, pode parecer mórbido, mas não é assim tanto. A morte é o narrador omnipresente que sabe tudo o que se vai passando, que avalia as fraquezas e os pontos altos da personalidades de cada personagem, ao mesmo tempo que vai revelando as suas próprias fraquezas. É uma morte com vida e um bocadinho humana.

Escrita

A escrita está genial. Eu pelo menos achei. As palavras são quase que escolhidas a dedo, quase sempre passíveis de uma segunda interpretação. Não dizem tudo e dão margem ao leitor para a sua própria visão da história. E isso é bom, pelo menos na minha perspetiva. Á medida que ia lendo o livro várias frases chamaram-me à atenção e queria muito incluí-las neste texto, mas descontextualizados perdiam o sentido. Até que encontrei esta. "Mas haveria castigo e dor, e haveria também felicidade. Escrever era isso".

Tema

O tema são os livros, a escrita, mas sobretudo a amizade e como as coisas ganham ou perdem sentido num cenário de guerra. Como a eminência da morte dá todo um significado e uma nova perspetiva às coisas simples. Como os valores se tornam mais densos e compactos e ficam mais mais nus e descobertos em situações extremas. O livro é bonito. Não é só empolgante, brilhante, genial, espetacular. É sobretudo bonito.

Desfecho

Já tendo visto o filme, já conhecia o desfecho e sinceramente preferi assim. Quando os finais são trágicos, prefiro saber de antemão do que ser apanhada de surpresa. O final mostra que todos morremos. Mais cedo ou mais tarde, todos somos levados pela Morte. A Liesel foi mais tarde, Rudy, Hans e Rosa foram mais cedo. Mas o desfecho é o mesmo para todos. Mas mesmo assim custaram-me aquelas mortes prematuras...

Alemão

Ao contrário da maior parte dos livros que leio, este não era traduzido a partir do inglês, era traduzido a partir do alemão. O meu conhecimento de alemão é zero. Á medida que vamos prosseguindo na leitura, há palavras que não são traduzidas (mas são explicadas) e nos infiltram ainda mais naquele universo.

Como já devem ter percebido, gostei mesmo muito do livro. Aconselho. É dramático, sem ser pesado. É trágico sem entrar em melodramatismos. Acho que só no final é que nos apercebemos mesmo do final evidente.

a rapariga que roubava livros.jpg

Esta não é a capa mais conhecida, mas acho que é a que está mais bem concebida e realista.

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