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My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

O meus problemas de relacionamento com as bibliotecas

Eu sou pessoa que aprecia bibliotecas. Bastante mesmo. É um sitio giro. Silencioso (Ahahah! Vamos fingir que sim… Já nos debruçamos afincadamente sobre este assunto lá mais para a frente). Com livros por todo o lado. O que só por si já é abonatório. Mesmo quando são livros técnicos que versam sobre assuntos tão interessantes como física quântica, por exemplo (dá para perceber que guardo um ressentimento agudo em relação à física desde os tempos de Secundário, não dá?). Mas, agora que começou a época de exames, o pessoal corre todo para biblioteca como quem quer apanhar a última coca-cola do deserto, e vítimas de uma qualquer amnésia súbita, esquecem-se que a biblioteca não é… sei lá, um cabaré. Ora vamos lá por partes.

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1. As bibliotecas são sítios giros. São, sim senhor. Eu já o disse lá em cima e repito. Dá vontade de uma pessoa bambolear as ancas pelo espaço, dar umas quantas voltas nos corredores e deslizar os olhos pelos livros como quem aprecia uma obra de arte. Mas, grande mas, quem se dedicou a projetar bibliotecas lá se terá esquecido que é suposto haver silêncio, e vá de botar soalho bonito que dá um aspeto todo supimpa e coerente com o espaço, mas range. E não é pouco. Uma pessoa toca com a ponta do dedo pequenino do pé no chão e já o chão se abriu numa orquestra sinfónica. Como mudar o chão talvez esteja fora de questão, não sair do lugar fora as vezes estritamente necessárias talvez seja opção.

2. Mais uma vez, a questão premente: silêncio. Por mim podem fazer o que vos der na real gana numa biblioteca. Tudo. Mesmo. Mas em silêncio, claro. Fazer mortais, dançar cha-cha, jogar ao berlinde. Em mute. Que eu sou uma alma por natureza distraída e caso haja alguém que se lembre de fazer qualquer ruído um decibel acima da média, levanto os olhos do que estou a ler e tento descortinar de onde vem o ruído, fico um tanto tempo a analisar a situação, como se me interessasse, e outro tanto tempo a pensar na morte da bezerra. Quando caio em mim, já passou toda uma eternidade. Porquê? Porque alguém fez um ruído maior que o habitual. Não, a culpa não é da minha distração. É da pessoa ruidosa.

3. Eu no ponto anterior talvez tenha exagerado na parte de dizer que podem fazer tudo o que vos der na real gana. Hum… Não podem. Mesmo em silêncio, não podem. Como, por exemplo, atirar papelinhos uns aos outros. Eu sei, há ali uma fase em que está toda a gente prestes a entrar em burn out, e de repente o nosso lado mais racional foge, mas atirar bolinhas de papel uns aos outros não é solução. Palavra que não. Pode parecer divertido e tal, mas não… Digo isto, porque da última vez que passei todo o meu santo dia enfiada numa biblioteca, umas alminhas, dotadas com certeza de uma inteligência acima da média, acharam que engraçado, era porem-se a atirar bolas de papel uns aos outros. E houve ali uma fase em que temi pela minha integridade física. Ainda pensei levantar-me e armar um escabeche, uma coisa assim muito cinematográfica, com direito a gritos e ameaças, mas depois, refleti, e não era bem a minha cena. Deixei-me estar sossegadinha, enquanto gritava impropérios vários para dentro. Entretanto, um deles levantou-se, eu calculei que o moço devia rondar os 100 kg e ter 2m. De maneira que eu com menos de 50 kg agradeci mentalmente a mim própria por ter suportado tamanha parvoíce alheia.

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E é isto, gente. Vão pelos meus conselhos. Se toda a gente utilizar as bibliotecas de forma civilizada conseguimos ser todos felizes no mesmo espaço.

Quero ler| A vida secreta dos intestinos

Leio muita ficção, o resto passa-me um bocado ao lado. Não, minto. Também leio muitos livros técnicos, sebentas, resumos, apontamentos... Bem vistas as coisas, afinal, ficção não é a única coisa que leio. Há todo um universo de leituras.

O que eu queria dizer, é que de livre e espontânea vontade, sem datas a provocarem-me ataques de pânico, a maior parte do que vou lendo é ficção. Mas este livro veio cá parar a casa, é um tema que me interessa e quero lê-lo.

Qual reality show, Giulia Enders promete desvendar-nos a vida louca e secreta do instestino. Numa luta por um órgão tão subvalorizado e desfavorecido. Uma espécie de luta por uma minoria desfavorecida. Há quem lute contra o racismo. Ou a favor dos migrantes. Giulia luta a favor do intestino. Não deixa de ser uma luta nobre.

Li na diagonal algumas páginas. Agrada-me. Tem uma escrita simples e um certo tom de humor. Descomplica o complicado com metáforas do quotidiano, comparações que podem parecer um tanto descabidas, mas dão noções claras do funcionamento não só do intestino, mas também do resto do corpo humano. Bastante acessível a todas as áreas de formação.

Estou na fila á espera para lhe poder pegar. Mal posso esperar.

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A prova de que a vida nem sempre é espetacular

Prometi que não ia ler mais até as aulas acabarem. Que não me ia desgraçar.

Mas oferecem-me livros, de autores que gosto muito, com sinopses que dão vontade de pegar e ler tudo em menos de nada.

Depois, fico com vontade de mandar promessas como esta às urtigas, ler muito e marimbar-me para a faculdade.

Mas, de repente, acometida de uma súbita sensatez, obrigo-me a recordar que não será de todo boa ideia se não quiser aniquilar o Verão e ir parar à 2ª fase.

Se a vida fosse espetacular estaria neste momento refastelada a ler. Não estou...

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Sai amanhã...

Era para ser uma trilogia, mas num daqueles impulsos gananciosos da editora ou da autora, não sei, virou uma pentologia (sim, inventei). Que é como quem diz, uma coleção de cinco livros.

Se as fãs acérrimas da coleção lêem estas palavras chamam-me mentalmente (se não, verbalmente) todos os nomes obscenos que lhes vierem à cabeça. Mas na verdade, fico sempre com esta sensação quando se começam a forçar a saída de sequelas das coleções de sucesso.

Falo d'A Seleção. Já fiz review dos primeiros dois, que podem ver aqui e aqui. Já li o terceiro e o quarto, mas tenho as reviews em falta (se fossem só desses dois...). Entretanto, sai amanhã o culminar da saga, e apesar de ser uma aprecidaora moderada, estou com muita curiosidade em relação ao final, embora suspeite. Espero que a autora, no último livro, não tenho um qualquer devaneio, e se lembre que giro, giro, era dar um final completamente arrebatador e desajustado. Há livros em que eu até admito isso, estes não fazem, sem dúvida, parte desse grupo. Têm um fundo demasiado cor-de-rosa, amoroso, cutxi-cutxi e purpurinas. Um universo demasiado pink, em que são permitidos clichés, lugares comuns e cenas pirosas completamente irreais. Por isso, deixem-me usufruir feliz da irrealidade sem estragar muito.

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É esta a capa. E sim, sai amanhã em inglês. Em português há que esperar.

Leituras| Eleanor & Park

Apaixonei-me por este livro. Quando li a última página, apeteceu-me voltar ao início para poder ler tudo outra vez, de um só trago. Gostei mesmo. Não ia com grandes expectativas. Abstive-me de ler reviews para não ter spoilers. Portanto, comecei sem saber muito bem ao que ia. É chato no início, porque andamos meio perdidos, mas amplia aquela sensação de ânsia para se prosseguir na história.

Eleanor é a ruiva, gorda, estranha e nova lá na escola. A vítima ideal de bullying. Park é o asiático apaixonado por BD e música. Park, com uma generosidade súbita que não reconhece em si, oferece a Eleanor o lugar ao lado dele no autocarro para esta não ser motivo de gozo de todos os outros colegas. É este o mote para o livro.

Nas primeiras 50 páginas não percebemos muito bem como é que o romance se vai desenrolar. Não falam um com o outro. Agem como se fossem sozinhos no banco do autocarro, até ao dia em que Eleanor começa a espreitar a BD de Park e Park começa a demorar mais em cada página para que Eleanor leia. Depois começa a troca de BD e de música. Quase sem se falarem, como se o que estivesse a acontecer, não estivesse realmente a acontecer. Sem clichés nem lugares comuns. Quando por fim começam a falar, dá-se uma química que despoleta o romance. Apaixonam-se.

Eleanor e Park não são só Eleanor e Park. Eleanor vive com os irmãos, a mãe e com o padrasto que agride constante a mãe. Uma história complexa que vem adicionar maior densidade e interesse ao livro. Park vem de uma família bem mais estruturada, mas com alguns problemas com o pai.

É neste meio que Elenaor e Park vão viver o primeiro amor e sentir a sensação avassaladora de estarem apaixonados pela primeira vez.

Sem entrar em spoilers (não acredito que estou a conseguir mesmo escrever uma review sem spoilers…), apesar do livro não acabar exatamente da maneira que eu queria, acho que foi o melhor final para o trajeto que o livro seguiu. Não acabou de uma forma demasiado idílica, mas também não acabou mal. Isto nem pareço eu, que luto abertamente contra os finais abertos, mas neste caso acho que foi o final ideal.

Em relação a uma adaptação ao cinema, parece-me uma ideia que tem tanto de interessante como de destruidora. Se por um lado, gosto sempre de ver a história pelo ponto de vista de outra pessoa, por outro, este romance tem um lado psicológico, em que entramos na cabeça dos protagonistas, e transparecer isso não me parece de todo simples. Isto leva-nos a outro aspeto que gostei bastante no livro: é narrado a duas vozes, o que ajuda a ter uma visão muito mais completa de todo o enredo.

Por enquanto, foi um dos livros preferidos deste ano, se não o preferido. Gostei mesmo.

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Só um pequeno parêntesis. A Eleanor ganhou o meu coração quando deu a opinião dela em relação ao Romeu e Julieta. Haja alguém no mundo que ache o mesmo que eu.

Quando nos apaixonamos por um livro

Há livros que são como entrar numa relação amorosa.

Primeiro começamos a conhecer-nos. Lê-se a sinopse. Vai-se lendo uma ou outra review e percebe-se que há ali uma certa química.

Depois, há um dia, em que queremos mais do que isso. Começamos a beliscar as primeiras páginas. Nada assumido. Se der deu, se não der, paciência.

Até que há ali um momento, em que percebemos que estamos irremediavelmente apaixonados. Vamos com ele para todo o lado: viagens, consultórios, tempos mortos, lacunas no horário… Sentimos que a vida perde parte do sentido sem ele. No fundo, sabemos que nunca mais vamos olhar para o mundo da mesma maneira depois dele.

Por fim, sem estarmos à espera, como se um livro resistisse eternamente à nossa avidez, chegamos à última página. Sentimos um vazio. Um buraco que não conseguimos preencher. Fazemos luto e pensamos que nunca mais vai voltar a haver outro. É impossível voltarmos a apaixonar-nos. Como se não soubéssemos que na leitura se vive uma poligamia consentida. De certa forma, desejamos que se eclipsasse toda a história da nossa memória para voltarmos a ler o livro com o mesmo prazer assaz irrepetível. Voltar a viver o nosso primeiro amor com ele. A sorte é que nos livros se podem viver vários primeiros amores.

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Leituras| A Elite

*Alerta Spoiler*

Second roun: A Elite.

Eu tenho um problema com segundos volumes de uma trilogia. Regra geral, o segundo livro tende a ser aquele em que tudo o que podia correr mal, corre mal. A Elite, por acaso, até é uma versão soft deste fenómeno.

Começa tudo bem. Eles estão juntos. O Maxon gosta da America e a America gosta do Maxon, embora ainda não tenha decidido se quer mesmo ficar com o Maxon. Eu posso ser indecisa, mas a America está noutra dimensão. É a superlativação deste problema. Por causa disso, é que há uma fase em que o livro começa a descambar. Eles começam a afastar-se e o próprio Maxon começa a ficar com dúvidas se quer mesmo ficar com a America. E é aqui que A Elite toma os contornos de um típico segundo volume.

Como a America não se decide, o Maxon começa a considerar a hipótese de escolher outra candidata. Convenhamos que ele não pode chegar ao fim da Seleção e concluir que a escolhida não está interessada nele. Por outro lado, a America alimenta simultaneamente uma relação com Maxon e Aspen. E no meio disto tudo, o Maxon ainda se acaba por envolver com a Celeste, outra das candidatas. Espetacular, não é? Nesta fase, apetecia-me saltar para dentro do livro e esbofetear cada um dos dois. Vocês têm de ficar juntos, ok?! Parem de ser parvos. Mas eles continuam a ser parvos, cada vez se afastam mais e mal falam um com o outro. Até que a America, numa espécie de vingança pessoal, decide expor um conjunto de factos confidenciais, que dizem respeito ao sistema de castas e foram descobertos graças ao Maxon ter confiado nela. E para piorar toda a situação, fá-lo televisivamente. A miúda, às vezes, fica a dever um bocadinho à inteligência. O rei, que é uma besta, e considera isso uma afronta, decide, obviamente, expulsá-la do palácio. Só que, depois de todo este imbróglio (palavra mais gira!), os rebeldes atacam o país e durante a fuga, a America e o Maxon acabam por fugir os dois e, por um feliz acaso, ficam trancados num dos abrigos. Nesta fase, já o livro está mesmo no fim. Esta é outra das características dos segundos volumes. Só mesmo, mesmo, mesmo no fim, é que a coisa dá a volta. E o segundo volume, acaba com eles juntos e felizes. Ok, não juntos e felizes, porque tem de haver material para o terceiro volume, mas menos afastados e menos infelizes.

Aspetos positivos do segundo volume:

Tem aquelas cenas românticas, fofinhas, cutxi-cutxi e tudo mais de deixar uma lagrimazinha no canto do olho.

Tem uma cena em que a America admite que não gosta de dançar e me levou a pensar “Se ela dança mal e arrebatou um príncipe, só podem estar reservadas coisas muito boas para a minha pessoa”. Posto isto, tenho de fazer uma pesquisa profunda nas famílias reais desse mundo fora.

Não é tão negativo como a maioria dos segundos volumes.

Não se concentra tanto na parte romântica da Seleção como o primeiro volume e explora mais os ataques rebeldes. Vai revelando a origem dos ataques rebeldes, o que dá alguma ação ao livro. Não muita, continua a ser cliché e romântico, mas permite a existência de outras dinâmicas.

Aspetos negativos do segundo volume:

É tão romântico, fofinho, cutxi-cutxi e tudo o mais que uma pessoa quase entra numa overdose de amor. Vamos com calma. No domínio do romance há cenas bonitas e há cenas pirosas. É uma linha ténue, facilmente transponível. As segundas fazem-nos corar de vergonha alheia. E não é o que nós queremos, certo?

Os ataques rebeldes podiam ter sido mais bem explorados. Não digo que descentrássemos da Seleção em si e passássemos a ter um relato minucioso dos ataques, mas acho que podia ter sido adicionado o fator suspense.

A poligamia. Está certo que eles andarem desencontrados dá ali alguma animação, mas escusavam de andar tão desencontrados entre eles os dois e tão suscetíveis a encontros com o resto do mundo.

Os nomes. Quem é que chama uma personagem de America?! Ainda pior, America Singer. Eu, pessoalmente, acho uma ideia péssima, tendo em conta que é uma personagem principal. E pelo Goodreads, não sou a única a achar.

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Ponto alto do meu dia

Estava a falar com uma amiga minha  sobre um livro que andava a ler e pergunto-lhe:

Eu: E tu andas a ler alguma coisa?

Ela: Ando a ler “E tudo o vento levou”.

Eu: Andas a ler “E tudo o vento levou”? Uau! Clássicos!

Ela: Sim.

Eu: Mas tu nem gostavas de ler…

Ela: Eu sei. Mas tu foste-me sugerindo livros e acho que passei a gostar.

Pára tudo! Ganhei o dia, certo?

Leituras| A Seleção

*Alerta Spoiler*

Uma amiga disse-me que tinha duas opções: ou lia A Selação ou lia A Seleção. Um ultimato, portanto, para me apresentar a ausência de escolha. Eu, ainda resisti, mas acabei por ceder. Estamos a falar de YA num registo muito girly. Um dos meus pontos fracos, portanto, de uma forma ou outra, ia acabar por ler esta trilogia.

O livro, tal como o título indica, trata de uma seleção. Tendo como objetivo unir o país, quando o príncipe herdeiro chega ao trono tem de escolher uma mulher plebeia para casar. Raparigas de todas as castas concorrem com o objetivo de serem selecionadas aleatoriamente para um grupo de trinta e cinco raparigas que irão viver para o palácio até o príncipe herdeiro decidir com qual irá casar.

America, a nossa personagem principal, acaba por concorrer, embora a última coisa que quer seja ser selecionada e esteja apaixonada por Aspen. Estão a ver o que acontece? É selecionada para integrar as trinta e cinco raparigas.

Quando chega ao palácio, informa imediatamente o príncipe, Maxon, que não está interessada nele, mas aceita-o como seu amigo durante o período que permanecer no palácio. Esperta a miúda, hã? Tem trinta e quatro mulheres a babarem por ele e uma que jura a pés juntos que tem zero interesse por ele. Qual é que ele havia de querer? A America, claaaaaro, a difícil.

Sim, é um bocadinho cliché, mas acho que isso é que lhe dá uma certa piada.

Destas trinta e cinco mulheres terá de ir afunilando o número de candidatas até chegar à eleita. O primeiro volume acaba com apenas 6 candidatas. Ora, para escolher uma entre trinta e cinco, tem de ter encontros com cada uma, conhecê-las, falar com elas… A parte dos encontros com toooodas as candidatas soa-me a uma relação meio polígama. Estamos a falar de encontros românticos. Basicamente o sonho de qualquer homem. Andar simultaneamente com trinta e cinco mulheres sem pesos na consciência.

Como o livro é narrado por America não vamos tendo acesso a esses encontros, apenas aos encontros entre Maxon e America. E é a partir desses encontros que vamos percebendo que se vão apaixonando gradualmente. Sim, eles apaixonam-se. Mas, para complicar um bocado a coisa, a America ainda está apaixonada por Aspen. E, adivinhem, quem se torna guarda no palácio? Aspen. Fica então completo o triângulo amoroso.

Chateia-me ela não saber com qual dos dois quer ficar. Chateia mesmo. Assim como chateia o Maxon estar apaixonado por America, mas continuar com os encontros com todas as outras. Grrrr… Não me perguntem porque é que fui sempre team Maxon, não reconheço mais qualidades em Maxon do que no Aspen. Mas há ali qualquer coisa, apesar de tudo o que o Maxon possa fazer de parvo, que me faz querer que a America e o Maxon acabem juntos. A própria autora não percebe o quê e diz que inicialmente o plano era a America e o Aspen ficarem juntos, até que depois de acabar o livro o lê e percebe que não, que a America está bem é com o Maxon (eu avisei que tinha spoilers). Diz que ouviu a personagem. Acho fabuloso quando os autores dizem que ouvem as personagens. Um nada esquizofrénico, convenhamos.

No meio disto tudo, ainda há as restantes trinta e quatro candidatas. Juntar trinta e quatro mulheres e pô-las a lutar pelo mesmo homem… dá disparate, como é óbvio. Aquelas cenas tipicamente femininas sem pingo de lógica. Ainda por cima, pô-las a passar o dia juntas na mesma divisão. Portanto a dinâmica entre as trinta e cinco também é muito interessante. Há aquele espírito de competição, disputas, discussões, mas também há as que se tornam besties, amigas para todo o sempre, uma certa solidariedade de quem está no mesmo barco para o que der vier. E há a Marlee. Muito importante. Uma das candidatas e a melhor amiga da America. Que é uma querida. Fofinha, mesmo. Sem ironias.

No meio disto tudo há as entrevistas. O acompanhamento televisivo de tooodo o processo. Esta parte acabou a fazer-me lembrar The Hunger Games (THG). O espírito é diferente. Em THG luta-se pela vida, n’A Seleção luta-se por um homem. Mas no fundo, no fundo, até há ali algumas parecenças.

Para adicionar alguma ação ao livro, o palácio é frequentemente alvo de ataques sulistas e nortistas, o que transforma o livro em algo não assim tão pink e dá para desenjoar do romance.

Em relação à minha opinião e muito sinteticamente: gostei, tem um enredo muito giro, parte de um conceito muito engraçado, mas depois acho que foi mal desenvolvido em algumas fases. Agarra (li-o num dia), mas não é surpreendente. Falta ali qualquer coisa. Não sei explicar.

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Leituras| Sensibilidade e Bom Senso

Li Sensibilidade e Bom Senso de Jane Austen, porque estava a entrar em ressaca literária (acontece, quando fico algum tempo sem ler) e precisava de alguma coisa que não me entusiasmasse para não perder o foco: estudar. Big mistake.

Há uns anos li Orgulho e Preconceito e não gostei muito (Como?!). Achei que tinha um ritmo lento, sem grande desenvolvimento. Por esse mesmo motivo, achei que com Sensibilidade e Bom Senso seria a mesma coisa. Não foi, passado uma semana já o tinha acabado. E gostei tanto, mas tanto. Acho que se tivesse lido, agora, Orgulho e Preconceito, teria gostado muito mais.

Admito que nem toda a gente goste. É efetivamente um livro com o seu ritmo e as suas particularidades. Prova disso são as críticas no Goodreads, há quem adore e há quem odeie. Há quem não consiga passar das sessenta páginas. E há quem devore o livro em menos de nada. Acho que não estou em nenhum dos extremos, mas gostei bastante.

Gostei da sociedade aristocrata retratada por Jane Austen. Gostei dos comentários sarcásticos dissimulados, muito próprios de Jane Austen. Gostei daquele ambiente muito british do sec. XIX: dos jantares, dos bailes, dos passeios pelo campo,… Sem dúvida, que uma das coisas que mais me faz gostar dos livros de Jane Austen é a época histórica em que são escritos.

Em relação às duas personagens principais que dão nome ao livro, Marianne e Elinor, respetivamente Sensibilidade e Bom Senso, trazem um dinamismo muito interessante ao livro. Ambas vão passando exatamente pelas mesmas situações, desgostos amorosos ou o iniciar de um romance, e ambas têm reações completamente antagónicas. Acho que às vezes, ambas acabam por cair no exagero da respetivas emoções. Se Marianne reage efusivamente, como se o que estivesse a passar fosse o mais negro dos cenários, Elinor reage como se nada tivesse acontecido, suprime por completo as emoções.

Uma palavrinha especial para Wiloughby. Eu gostava mesmo do rapaz. Espirituoso, dinâmico, giro (eu imaginava-o giro, mesmo giro)… E gostava mesmo que a Marianne e ele tivessem ficado juntos. Até que o rapaz se revela um cafajeste. E isto é a prova de que já na altura existiam homens parvos. Achei muito bem que Jane Austen mesmo assim tivesse dado a volta por cima. Ele foi parvo, sim senhor, mas vamos ser simpáticos com o rapaz, que ele foi só uma vítima das circunstâncias e de algumas más escolhas. De qualquer das formas, pomos a Marianne com o Coronel Brandon, que é só 20 anos mais velho que ela, mas é muito boa pessoas e ficam todos felizes. E ficam mesmo. É isso que eu gosto na Jane Austen, deixa as personagens principais com um final feliz.

As restantes personagens também são muito interessantes. Gosto tanta da forma como Jane Austen estrutura e caracteriza as personagens. Uns são parvos, outros são uns totós, outros são só estúpidos, outros são arrogantes, outros são caricatos, outros são uns desbocados (daquelas pessoas sem filtros),… Ou então, são a mistura de um bocadinho de tudo.

E é isto. Gostei e recomendo. Não é para toda a gente. Houve uma fase em que eu própria não gostava muito, mas dêem uma oportunidade. E uma segunda. Uma terceira se for preciso. Insistam. Se não gostarem, paciência, não temos todos de gostar de azul, não é?