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My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

Um post mais ou menos óbvio sobre um fenómeno chamado running

Há algum tempo atrás, estava a ler uma crónica do Luís Pedro Nunes na revista do Expresso que abordava quatro temas, um deles a corrida. E achei piada ao texto sobre a corrida. Achei piada aos quatro temas, mas o da corrida em especial. Passo a citar a parte sobre a qual andei uns dias a pensar: "(...) Começa-se na passada. E depois dois quilómetros. E ao fim de uns dois meses está-se nos 5 km. E um dia fazem-se 10 km, já com estilo e com roupas sem ter o ar de que foram compradas nos saldos da SportZone. Até que um santo dia, sem estar à espera, está a correr e bate-lhe aquela clarividência esmagadora: mas porque raio estou a fazer esta porcaria? E para-se para não mais voltar a correr." Isto tudo, porque para o autor da crónica o "todos podemos correr 10 km" é um mito. Um mito que estraga a vida. Um mito um nada compulsório que faz muita gente arrastar-se por essas marginais fora, numa tentativa inútil de lhe chegar o bichinho da corrida.

Eu leio este texto e percebo de longe que o autor da crónica não corre. Só ainda não percebi se já correu ou não. Mas tenho para comigo que não. Não corre nem correu. Ou se correu, foram poucos km. E percebo-o. Percebo-o muito bem. Porque quem está fora deste fenómenos não vê a lógica de se andar a correr atrás do nada. Só para conseguir a proeza de correr 10 km. Só para conseguir a proeza de fazer o que toda a gente faz.

Mas asseguro-lhe que se começasse a correr mesmo a sério, pegasse num par de ténis e andasse no batente um mês, o bicho talvez pegasse e talvez começasse a perceber porque é que se correm 10 km. Porque raio é que essa clarividência esmagadora não bate assim a tanta gente.

Quando começamos concebemos uns quantos motivos. Quero emagrecer, quero ser saudável, quero... Queremos muita coisa. Quando passados uns quantos meses vamos fazer um balanço, percebemos que a corrida já nos deu bem mais do que aquilo que lhe pedimos. Deu-nos tempos para estarmos só connosco próprios, deu-nos o prazer da auto-superação, deu-nos aquela coisa de sermos saudáveis que tanto queriamos, adelgaçou-nos as formas, deu-nos uns momentos de catarse, deu-nos lágrimas de esforço e sorrisos de objetivos alcançados.

A verdade é que nem todos temos de correr. Ou melhor, a verdade, é que só tem de correr quem quer. Correr por imposição social e por moda é parvo. Mas às vezes é um bom começo. É a forma de começar. Mas acredito que haja muita gente que comece, insista na coisa e não consiga que aquilo se torne um vício. Mas sou sincera, quanto mais se corre, mais se quer correr. É um bocadinho como tudo na vida. No início estranha-se, depois entranha-se. No início saímos de casa a pensar porque motivo é que vamos fazer aquilo, sacrificarmo-nos em prole de quê, mas quando acabamos sentimo-nos bem melhor do que quando começémos. Eu que sou uma pessoa um bocado stressada, correr é a minha forma de aliviar o stress.

Isto tudo, porque achei piada àquele excerto da crónica. Ao ponto de vista de um outsider que não quer ser (nem tem de ser) um insider. Isto tudo porque querias dizer-vos o que acho de correr. O que acho de me fazer à estrada e ter uns quantos quilómetros pela frente.

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