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My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

Quando somos atacados ferozmente por um bicho

Odeio infinitamente melgas. Odeio. Odeio. Odeio. E não tenho qualquer pudor de as aniquilar. Palma da mão aberta a alta velocidade: Zás! Já foi.

É um prazer imensurável, porque é menos uma neste mundo a dar-me cabo dos nervos. Sim, eu sei, numa qualquer teia alimentar, cadeia alimentar, ecossistema, enfim, o que for, há-de ser um bicho extremamente útil e fonte de equilíbrio. Na minha mente, são só os bichos mais improfícuos e maléficos.

Vejamos:

1. Perturbam-me mentalmente com aquele grito agudo de quam está prestes a despenhar-se contra a minha pele.

2. Perturbam-me mentalmente, porque sei que a seguir ao grito agudo de quem está prestes a despenhar-se contra a minha pele, despenham-se, realmente. E ferram o dente. Ou, o que for. E depois, quais parasitas inúteis, alimentam-se do meu sangue. E como se não bastasse, no final, tudo aquilo provoca uma coceira danada. E inchaço, também.

3. Perturbam-me mentalmente quando me atacam ferozmente na cara. Mais precisamente na pálpebra. Ia tendo uma síncope quando acordei de manhã e vi que tinha a pálpebra inchada.

Series| O tempo entre costuras

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Descobri esta série, que não é propriamente recente, há pouco tempo. E gostei muito.

Passa-se entre Espanha, Marrocos e Portugal e gira em torno de uma modista em 1936 que se torna informadora da Grã-Bretanha.

É uma série espanhola feita em colaboração com alguns atores portugueses.

Ainda só vi o primeiro episódio, o que faz com que a minha opinião não seja propriamente definitiva, mas do que vi gostei. A série só tem 17 epidódios, mas cada episódio tem à volta de uma hora e meia. Uma pessoa fica feliz naquela hora e meia, enquanto acompanha a vida louca de Sira Quiroga (a protagonista), ao mesmo tempo que devora uma tablete de Milka de caramelo (só de pensar, já estou a salivar).

Eu tenho estado a ver em castelhano e quando vi o trailer achei um nada incompreensível (vi sem legendas). Eles falam a uma velocidade estupidamente estonteante e a música de fundo não ajudava muito. Mas isto sou eu, qua não sou normal, e tenho uma dificuldade enorme em perceber línguas faladas, que não o português. Entretanto, o episódio começou, a música de fundo desapareceu, e eu entendi praticamente tudo. Portanto, se eu percebi, toda a gente percebe.

Outro apontamento, extremamente relevante: as roupas. A sério, o guarda-roupa é qualquer coisa. Os anos 30 e os anos 40 foram fabulosos em termos de moda. Dá vontade de entrar lá para dentro, sejá lá onde isso for, e usar aqueles vestidos com aquele ar retro, que mais niguém gosta a não ser eu, e que faz as minhas amigas olharem-me de lado. Oh! Well... É dificil ser-se incompreendida.

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Atentem só o cabelo.

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A máquina de costura. Como não gostar desta máquina de costura?

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O meu vestido preferido.

Pronto, já parei.

Parte boa, também há livro. Não sei se vou avançar para o livro, mas ficou a vontade.

 

(Vamos fingir que não estive quase um mês ausente. Sem posts. Sem sinal de vida. Vou-vos poupar à ladainha de que a minha vida tem sido uma loucura e de que tenho tido pouco tempo.)

Os sonhos e a realidade

Eu tenho sonhos um tanto estapafúrdios. Sem muita lógica e meio desconectados. Quem não? E um dos sonhos mais recorrentes e assutadores que tenho é o de me cairem os dentes. Assim de repente. Não é o processo de queda, não é a dor... Não sei exatamente o que é. Mas sei que é pavoroso. Uma sensação horrível vagamente semelhante à de nos despenharmos ou cairmos em queda livre num precipicio. Um medo infundado, uma sensação de insegurança aliada à fallta de controlo da situação.

Lembro-me de ter contado isto a umas amigas e elas terem achado aquilo só parvo e sem sentido (pois, está bem, não era com elas...). E eu fique a sentir-me meio alien, porque pensava que era daqueles sonhos que toda a gente tem, mais ou menos como o de voar, ser ceifado por uma onda gigante (esse também é pavoroso) ou cair num precipicio. Elas disseram que não. Nunca tinham ouvido semelhante coisa. Até que passado algum tempo, na altura em que ainda havia a Mixórdia de Temáticas do Ricardo Araújo Pereira (acham que há possibilidade de petição para voltar?), uma delas retratou, daquela maneira espetacular que só o RAP consegue, a inutilidade do sono. Um dos argumentos era a estupidez dos sonhos. E qual foi um dos sonhos referidos? A queda súbita de dentes. Obrigada. Afinal não estava sozinha.

Volvidos uns anos, poucos (talvez um ou dois), quando andava apanhadinha por Freud e tive Psicologia no Secundário, descobri que Freud não só dizia que era um sonho recorrente como o explicava. O homem era mesmo iluminado (depois, percebi que não, era só mesmo tarado).

Então afinal o que é isso da queda dos dentes? Insegurança. Tão simples quanto isso. E, até que confere. Não sou a pessoa mais insegura do mundo, mas tenho algumas inseguranças parvas. Acho que toda a gente tem, com exceção àquelas pessoas super resolvidas, sem problemas de qualquer espécie, em suma perfeitas... Ah! Espera... Isso chama-se utopia. Então, sim, acho que toda a gente tem algumas inseguranças.

Isto vem a que propósito? Isto vem a propósito da minha paranóia por Freud, mas também de uma conversa que tive com uma pessoa que me confessou ter este pesadelo, às vezes. Uma das pessoas mais inseguras que conheço com uma opinião extremamente volúvel. Ótima pessoa, mas muito insegura.

Interpretação dos sonhos soa assim meio ilógico, mas a verdade é que neste caso até que bate certo. Não levo à letra, mas achei piada a interpretação que Freud foi dando aos sonhos. A este e a outros. Foi a primeira pessoa a não interpretar de forma mística os ditos cujos. Alguma credibilidade há-de ter. 

O meus problemas de relacionamento com as bibliotecas

Eu sou pessoa que aprecia bibliotecas. Bastante mesmo. É um sitio giro. Silencioso (Ahahah! Vamos fingir que sim… Já nos debruçamos afincadamente sobre este assunto lá mais para a frente). Com livros por todo o lado. O que só por si já é abonatório. Mesmo quando são livros técnicos que versam sobre assuntos tão interessantes como física quântica, por exemplo (dá para perceber que guardo um ressentimento agudo em relação à física desde os tempos de Secundário, não dá?). Mas, agora que começou a época de exames, o pessoal corre todo para biblioteca como quem quer apanhar a última coca-cola do deserto, e vítimas de uma qualquer amnésia súbita, esquecem-se que a biblioteca não é… sei lá, um cabaré. Ora vamos lá por partes.

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1. As bibliotecas são sítios giros. São, sim senhor. Eu já o disse lá em cima e repito. Dá vontade de uma pessoa bambolear as ancas pelo espaço, dar umas quantas voltas nos corredores e deslizar os olhos pelos livros como quem aprecia uma obra de arte. Mas, grande mas, quem se dedicou a projetar bibliotecas lá se terá esquecido que é suposto haver silêncio, e vá de botar soalho bonito que dá um aspeto todo supimpa e coerente com o espaço, mas range. E não é pouco. Uma pessoa toca com a ponta do dedo pequenino do pé no chão e já o chão se abriu numa orquestra sinfónica. Como mudar o chão talvez esteja fora de questão, não sair do lugar fora as vezes estritamente necessárias talvez seja opção.

2. Mais uma vez, a questão premente: silêncio. Por mim podem fazer o que vos der na real gana numa biblioteca. Tudo. Mesmo. Mas em silêncio, claro. Fazer mortais, dançar cha-cha, jogar ao berlinde. Em mute. Que eu sou uma alma por natureza distraída e caso haja alguém que se lembre de fazer qualquer ruído um decibel acima da média, levanto os olhos do que estou a ler e tento descortinar de onde vem o ruído, fico um tanto tempo a analisar a situação, como se me interessasse, e outro tanto tempo a pensar na morte da bezerra. Quando caio em mim, já passou toda uma eternidade. Porquê? Porque alguém fez um ruído maior que o habitual. Não, a culpa não é da minha distração. É da pessoa ruidosa.

3. Eu no ponto anterior talvez tenha exagerado na parte de dizer que podem fazer tudo o que vos der na real gana. Hum… Não podem. Mesmo em silêncio, não podem. Como, por exemplo, atirar papelinhos uns aos outros. Eu sei, há ali uma fase em que está toda a gente prestes a entrar em burn out, e de repente o nosso lado mais racional foge, mas atirar bolinhas de papel uns aos outros não é solução. Palavra que não. Pode parecer divertido e tal, mas não… Digo isto, porque da última vez que passei todo o meu santo dia enfiada numa biblioteca, umas alminhas, dotadas com certeza de uma inteligência acima da média, acharam que engraçado, era porem-se a atirar bolas de papel uns aos outros. E houve ali uma fase em que temi pela minha integridade física. Ainda pensei levantar-me e armar um escabeche, uma coisa assim muito cinematográfica, com direito a gritos e ameaças, mas depois, refleti, e não era bem a minha cena. Deixei-me estar sossegadinha, enquanto gritava impropérios vários para dentro. Entretanto, um deles levantou-se, eu calculei que o moço devia rondar os 100 kg e ter 2m. De maneira que eu com menos de 50 kg agradeci mentalmente a mim própria por ter suportado tamanha parvoíce alheia.

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E é isto, gente. Vão pelos meus conselhos. Se toda a gente utilizar as bibliotecas de forma civilizada conseguimos ser todos felizes no mesmo espaço.

Quero ler| A vida secreta dos intestinos

Leio muita ficção, o resto passa-me um bocado ao lado. Não, minto. Também leio muitos livros técnicos, sebentas, resumos, apontamentos... Bem vistas as coisas, afinal, ficção não é a única coisa que leio. Há todo um universo de leituras.

O que eu queria dizer, é que de livre e espontânea vontade, sem datas a provocarem-me ataques de pânico, a maior parte do que vou lendo é ficção. Mas este livro veio cá parar a casa, é um tema que me interessa e quero lê-lo.

Qual reality show, Giulia Enders promete desvendar-nos a vida louca e secreta do instestino. Numa luta por um órgão tão subvalorizado e desfavorecido. Uma espécie de luta por uma minoria desfavorecida. Há quem lute contra o racismo. Ou a favor dos migrantes. Giulia luta a favor do intestino. Não deixa de ser uma luta nobre.

Li na diagonal algumas páginas. Agrada-me. Tem uma escrita simples e um certo tom de humor. Descomplica o complicado com metáforas do quotidiano, comparações que podem parecer um tanto descabidas, mas dão noções claras do funcionamento não só do intestino, mas também do resto do corpo humano. Bastante acessível a todas as áreas de formação.

Estou na fila á espera para lhe poder pegar. Mal posso esperar.

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Ás vezes a felicidade alheia aleija

Às vezes acontece. A felicidade alheia aleija. Dói. Faz comichão.

Não é inveja. Não é querer que caia um raio em cima do outro. Que seja atropelado por um camião TIR. Ou tenha um cancro terminal.

Pode continuar feliz. Mas nós também queremos um bocadinho dessa felicidade.

E inevitavelmente chegamos àquela pergunta: Porque é que ele(a) pode e eu não?

É só às vezes, muito raramente. Mas acho que já toda a gente teve aquele momento de comparação aliado a uma certa auto-vitimização. Depois passa. E já não dói, nem faz comichão.

Depois passa e lembramo-nos que grande parte dessa felicidade depende de nós. Soa a cliché, mas é verdade. Muitas vezes.

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Dizer sim ao não

Custa-me horrores responder que não, quando precisam de um sim. E vou dizendo sim. Vou acumulando uns quantos sim e outros tantos não para mim. Porque dizer constantemente sim a toda a gente, é dizer não a nós próprios. Desorganizar a nossa vida, para os outros organizarem a deles.

Mas, caramba, eu sei o que é estar enrascada, com a corda ao pescoço, a precisar de um sim, e toda a gente me dizer o que não quero ouvir. Sei o que isso é. E sei também que, se desorganizar um bocadinho a minha vida, não vem mal nenhum ao mundo de maior, e a outra pessoa vai ficar sem aquele peso, sem aquele entrave.

O que me esfrangalha depois os nervos, sou eu, depois de fazer malabarismos vários para conseguir dizer um sim, vir a pedir um sim àquela pessoa, e ela, sem pestanejar, sem dedicar muito tempo à questão, atirar-me um não. Numa atitude umbiguista de quem não precisa que lhe digam um sim, quando, na verdade, já precisou...

Estou viva. Só vou andar um bocadinho desaparecida.

Não desapareci. Não fui raptada. Também não faleci. Estou aqui. Vivinha da silva. Praticamente uma semana e meia de ausência, para quem quer escrever posts todos os dias (exceto fins-de-semana), é muito tempo. Eu sei.

Primeiro fiquei doente. Uma alergia cutânea horrível. A Primavera é tramada para estas coisas. Dose cavalar de anti-histamínicos e a coisa ficou resolvida. Depois uma gripe. Ou uma constipação. Não sei. Brufen no bucho e está feito. Ainda não está, que eu ainda tenho uma vontade permanente de espirrar em modo non stop. Também me dói levemente a garganta (nada de muito grave). E tenho de andar sempre com um carregamento de lenços. Ou então, esqueço-me, coisa frequente, e ando a pedinchar lenços a toda a gente.

Depois, não tenho tido muito tempo. Nesta fase crítica com faculdade e mais uma série de coisas a equilibrar com um malabarismo complicado, vir ao blog é uma variável difícil de inserir na equação. Tenho cá vindo na mesma. Leio os vossos blogs, venho ver se o meu não morre (tipo Tamagoshi) e depois fico com uma culpa desgraçada por não vir aqui escrever.

E, por último, mea culpa, eu sei, bateu uma certa falta de vontade de vir aqui. Não me apetecia escrever. Tinha assunto, mas não sabia como é que havia de desenvolver. Não estava a fluir. Vamos dar um tempo um ao outro. Dei e aquele ímpeto de escrever no blog voltou. Já sentia falta de vir aqui, abrir uma caixa de texto e escrever o que me apetecesse. No início fiquei ligeiramente preocupada, com esta súbita falta de vontade de escrever. Deixar de escrever num blog é asfixiá-lo aos bocadinhos, em morte lenta. Aniquilá-lo devagarinho.

Não vou deixar de escrever no blog, mas no próximo mês, o blog vai andar, com muita pena minha, a conta-gotas. Quando conseguir vir aqui, venho. Se não conseguir, ninguém morre por isso... É que de repente, comecei a pensar como é que ia ter tempo para vir aqui todos os dias, comecei a pressionar-me a mim própria e a ficar um quanto stressada. Foi aqui que percebi, que já chegava. Sem culpas, sem pesos na consciência. O blog, para mim, neste momento, é uma coisa que gosto de fazer, mas sem obrigatoriedade. Se não conseguir cá vir hoje, venho noutro dia. E há-de ser assim até fazer o último exame.

Pronto, é isto.