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My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

(Ainda as) Bipolaridades

Sou a miúda que chora baba e ranho em filmes românticos, mas treme de vergonha alheia perante gestos pseudo-românticos meio pirosos.

Sou a miúda que se diz altamente sensata, racional e com dois palmos de testa, mas que comete as maiores parvoíces irrefletidas só porque sim.

Sou a miúda que dá gargalhadas colossais, diz as maiores barbaridades, inventa piadas secas, muitas vezes sem filtros, mas que se encolhe de vergonha e analisa meticulosamente o politicamente correto.

Sou a miúda irónica, sarcástica e (às vezes) cruel, mas que diz que nunca devemos julgar os outros e o respeito pelo outro é uma das minhas maiores máximas (mesmo quando apetece desatar ao tabefe).

Sou a miúda que diz que odeia estar chateada sem razão aparente, não suporta auto-vitimização e abomina aquela mania de ver permanentemente o copo meio vazio, mas dramatiza tudo infinitamente, olha só para as hipóteses mais negras, entra numa espiral de medo e desata as carpir todas as mágoas (normalmente horrendas) sem motivo aparente.

Vivo numa bipolaridade estranha, aos solavancos entre mim e todas as outras pessoas que também me pertencem, numa pluralidade que ainda descubro e me leva irremediavelmente a perguntar: quem exatamente sou eu?

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(Já viram se sou uma psicopata ou uma assassina em série e não sei?!) 

Aviso à navegação: não comprem Nestum marca Continente

E depois de uma frase destas, acho que acabei de gorar quaisquer expectativas que pudessem existir em relação a ter compras grátis em qualquer loja da marca Sonae.

Isto tudo, porque veio cá parar a casa (veio cá parar, é como quem diz, alguém teve de comprar) uma embalagem do dito cujo. E, senhores, senti cá dentro alguma necessidade, se não dever, de vos transmitir que não vale a pena, numa tentativa frustrada de poupança, comprarem a marca branca ao invés da original. Eu desconfio seriamente, que quem esteve por de trás do fabrico do produto, não tinha papilas gustativas. É o sabor, é a textura, até a cor me deixa indecisa se eles tentaram mesmo fazer uma cópia de Nestum, ou se acharam giro criar uma nova forma de alimentação.

Na verdade, a embalagem já deixava suspeitar, que o conteúdo não perspetivava nada de bom. Mas uma pessoa gosta de ter esperança. Não é por o departamento de Marketing ter uma miopia grave associada a daltonismo, que vamos pôr de lado a hipótese que o Nestum marca branca seja um caso de sucesso, como o Cerelac, por exemplo. Palavra que gosto mais do Cerelac marca branca que o original. O Nestum não segue definitivamente esta lógica.

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Conselho de amiga, gente.

Pronto e agora que já cumpri a minha boa ação do dia, vou mergulhar novamente nos livros.

Bipolaridades blogosféricas

Há dias em que me ponho a ler os posts do meu próprio blog. Sim, eu sei, tem o seu quê de narcisista. E penso que não me saí nada mal.

Há outros, em que quanto mais leio, mais deprimida fico. Sou acometida de impulsos homicidas e penso mandar o blog às urtigas. Ir às definições e enviá-lo para um abismo sem retorno.

Mais ou menos como quando acordamos de manhã, olhamos para o espelho, e nuns dias, ele é um fofo, e devolve-nos a imagem de uma das angels da Victoria’Secret, enquanto que noutros olhamos com perplexidade para uma imagem disforme que, guess what, somos nós.

Bipolaridade feminina no seu melhor.

Cinco pessoas das quais queremos fugir nas aulas

As minhas aulas são tão produtivas que às vezes, qual epifania que desce sobre mim, tenho ideias para cima de espetaculares para possíveis posts (#sóquenão). Só por isso já vale a pena o sofrimento de me enfiar numa sala pouco ventilada e com gente chata.

Estava eu, na sala, a fazer oscilar os meus pensamentos entre parvoíces e inutilidades, quando me ponho a observar alguns colegas (já disse que gosto imenso de observar pessoas?). E reparo, depois de longos 13 anos disto (escola, faculdade, colegas, professores), que os meus caros colegas, aqueles assim mais caricatos, têm tendência a inserir-se num dos seguintes grupos:

A espécie que sabe tudo

Tudo. Tudo. Tudo. E fazem questão de me escarrapachar esse facto na cara. A mim e ao resto da turma. Não sei se têm vida própria ou se fazem alguma coisa para além de estudar. Se calhar não, digo eu… Não sei. Também não quero estar aqui a lançar calúnias. O problema reside não no facto de saberem tudo, que só por si já é bastante irritante, mas no facto de debitarem a matéria de uma forma estupidamente fabulosa (é inveja, sim). Uma coisa positiva nesta espécie, dão-me vontade de chegar a casa e estudar, estudar, estudar. O problema é que chego a casa e a vontade eclipsa-se. Se calhar trago um deles para casa, um dia destes.

A espécie que ‘tá nem aí

Podia vir um furacão, um terramoto seguido de um tsunami e de toda a panóplia de desastres naturais, que eles continuavam impávidos nos facebooks desta vida. Do mal o menos, não se estendem naquela ladainha insana de quem quer mostrar que sabe tudo, mas afinal não sabe. Até nem são más pessoas, acham é aquilo chato. No fundo, até sinto alguma solidariedade.

A espécie que tem simbiose com perguntas parvas

Não fazem por mal, coitadinhos. Perguntam porque não sabem, porque querem mostrar interesse, porque… Às vezes, porque são parvos mesmo, pronto. Mas uma pessoa não tem culpa de ser parva, como está bom de se ver. É chato é eles aperceberem-se do facto de que a pergunta é parva, mas insistirem em fazê-la.

Ó professor, eu sei que a pergunta é parva, mas…

Ó alma de Deus, se a pergunta é parva e se tu sabes que é parva, calas-te antes que eu, num ato de desespero, me lembre de atirar o meu estojo num voo picado diretamente ao teu encéfalo. Difícil vai ser acertar, que para além da minha fraca pontaria o teu encéfalo, segundo desconfio, também não deve ter proporções muito abundantes.

A espécie que pensa que sabe tudo, mas afinal, veja-se lá o azar, não sabe

Estes não mereciam só o estojo. Mereciam o estojo, as sebentas, os livros… Tudo de rajada até se calarem. São aquele género de pessoas que pensam serem dotados de uma certa omnisciência. O problema é que na prática, não são. O professor vai fazendo perguntas, eles vão errando e no final, quando o professor dá a resposta, olham para ele e dizem:

Claro, claro, professor é isso mesmo.

No fundo, sempre souberam as resposta, querem é testar os mentecaptos dos colegas.

A espécie que coloca muuuuuitas dúvidas. Muitas mesmo.

Tantas que mais uma vez despoletam em mim instintos assassinos e uma vontade mórbida de que o meu material de sala de aula vire arma de arremesso. Não são dúvidas parvas. São dúvidas. Mas é uma quantidade hiperbólica de dúvidas.

Menos. Muito menos.

E de cada vez que vejo o dedinho no ar instalado por cima da cabeça de uma dessas alminhas, tremo. Tremo muito. Principalmente quando vejo o ponteiro aproximar-se da hora de saída.

Das coisas boas que um dia mau pode ter

Lá fora. Ver desfilar a paisagem num borrão verde, pintalgado de amarelo.

Cá dentro. Gente que não conheço. Não resisto com os olhos no livro a ouvir conversas alheias. Uma senhora com 30 anos fala com um entusiasmo adolescente sobre dietas. Grânola. Sobremesas saudáveis. Morangos. Frutos vermelhos. De repente, sem nenhuma conexão com o tema original, resvala para o crochet.

Outra senhora, a rondar os quarenta. Talvez menos, leva dois cães, cada um na sua caixa. Imagino-a divorciada e sozinha. Ou solteira.

Um rapaz que corre pelo corredor, chega ao lugar e beija a namorada. Ou quem quer que seja.

Não consigo evitar imaginar-lhes a vida que tenho a certeza me passa ao lado.

Por mais que ande de comboio, nunca me canso.

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Vamos falar de questões pertinentes: risco ao lado vs. risco ao meio

Se há questão de suma importância nesta vida que urge destrinçar é a pertinência do risco ao lado vs. risco ao meio. 

Vejamos, durante longos anos usei risco ao lado. Ou melhor, usava 99% do cabelo de um lado da cabeça e abandonava sem dó nem piedade o restante 1% do outro lado da cabeça. Ainda hoje, quando vejo as fotografias, tenho um espasmo no olho esquerdo e vergonha. Muita verginha. E subitamente, vem-me à memória a minha mãe, com toda a sua experiência, a avisar-me que se calhar o meu risco ao lado tendia para um certo exagero. Mas eu, ceticamente, naquela idade em que nos achamos detentores de uma certa omnisciência, ignorei-a. Em parte por não conceber um risco que não fosse ao meio ou num dos extremos da cabeça. E para mim, risco ao meio era isto:

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Usar risco ao meio deixar-me-ia, irrevogavelmente, com consideráveis parecenças com o irmão do Tom Sawyer, o Sid. Nunca parecida com a Sara Carbonero, por exemplo.

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Portanto, a única hipótese passava por usar um risco ao lado que me dava um ar medonho.

Volvidos uns anos, resignei-me ao facto de que já ninguém usava risco ao lado. Muito menos, quando o risco batia a orelha. Um dia tracei uma linha direita que batia o meio da testa. Houve uma fase de habituação que requereu um certo distanciamento emocional da minha infância. O Sid continuava a atormentar-me cada vez que olhava ao espelho. Feita a habituação vivi uns anos feliz com um risco ao meio que pode não ter sido tão atormentador quanto isso.

Acontece que entretanto, descobri a existência de uma coisa chamada meio-termo. Não precisamos abandonar 1% do cabelo, enquanto os restantes 99% vivem sobrelotados qual sardinha enlatada capilar. Podemos fazer uma divisão 40/ 60, por exemplo, sem entrar em extremos.

Acho que é neste fase que estou, 40/ 60. E estou feliz. Nunca subestimem uma questão capilar. Esteja ela em que âmbito estiver. Pode arruinar-vos a auto-estima.

Quando nos apaixonamos por um livro

Há livros que são como entrar numa relação amorosa.

Primeiro começamos a conhecer-nos. Lê-se a sinopse. Vai-se lendo uma ou outra review e percebe-se que há ali uma certa química.

Depois, há um dia, em que queremos mais do que isso. Começamos a beliscar as primeiras páginas. Nada assumido. Se der deu, se não der, paciência.

Até que há ali um momento, em que percebemos que estamos irremediavelmente apaixonados. Vamos com ele para todo o lado: viagens, consultórios, tempos mortos, lacunas no horário… Sentimos que a vida perde parte do sentido sem ele. No fundo, sabemos que nunca mais vamos olhar para o mundo da mesma maneira depois dele.

Por fim, sem estarmos à espera, como se um livro resistisse eternamente à nossa avidez, chegamos à última página. Sentimos um vazio. Um buraco que não conseguimos preencher. Fazemos luto e pensamos que nunca mais vai voltar a haver outro. É impossível voltarmos a apaixonar-nos. Como se não soubéssemos que na leitura se vive uma poligamia consentida. De certa forma, desejamos que se eclipsasse toda a história da nossa memória para voltarmos a ler o livro com o mesmo prazer assaz irrepetível. Voltar a viver o nosso primeiro amor com ele. A sorte é que nos livros se podem viver vários primeiros amores.

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Viver a vida no limite

Vesti-me e pensei:

Podia chover. Hoje, não me importava (da última vez também não). Estou com tanta vontade de ir correr como de me enfiar debaixo de um camião TIR em andamento.

Ainda ensaiei uma pequena dança da chuva, bamboleei as ancas na esperança de haver alguma ligação direta entre o grau de movimento do meu rabo e o grau de saturação das nuvens. Com pouca esperança lá me fiz à estrada.

1ª fase

Hum! Que maravilha: o vento na cara, esta sensação boa de se estar a fazer o que se tem de fazer. A sério? Porque é que adiei tanto isto?

2ª fase

Espera. O que é isto? Isto é cansaço, não é? Já me tinha esquecido do pequeno detalhe que as pessoas cansam-se quando correm. Principalmente quando se fica 6 meses sem fazer nenhum…

3ª fase

Ainda só corri 500m e já estou com uma respiração asmática. Parece que me vou afogar. Senhores! Ainda bem que não está ninguém na rua, caso contrário já tinham chamado o 112.

4ª fase

0,5 km

Whaaaat?! Espera aí, eu ouvi bem?! Eu ainda só corri 500m?! Não pode… O GPS deve estar a falhar…

5ª fase

Acho que vou desfalecer. Sinto-me como se me tivessem enfiado a cabeça dentro de água 10 minutos e tivessem acabado de me permitir vir à superfície. Onde é que está o oxigénio?!

6ª fase

1 km

Ia jurar que por esta altura, na melhor das hipóteses, já tinha corrido 10 km. Está certo…

7ª fase

OMG! Uma subida. Alerta subida. Alerta subida. Alerta subida. Sinto-me a ficar com tremeliques.

8ª fase

Espera aí, eu comi antes antes de vir. E se com este esforço todo ainda tenho uma indigestão? Porque é que eu me meto nestas coisas?

9ª fase

Acho que tenho a visão turva. Só por acaso, quando é que chego a casa?

10ª fase

Dói-me por baixo da língua. E os ouvidos. Tanto. Isto deve ser um problema qualquer manhoso.

11ª fase

Cheguei! Cheguei! Cheguei! Deve ser isto que se sente quando se acaba uma maratona. Com a particularidade que não tenho os meus amigos todos a olharem-me com um certo deslumbramento e prestes a abraçarem-me. Tenho o meu cão a olhar-me com um ar perplexo. Já é qualquer coisa.

 

E é isto. Amanhã há mais. Gosto de sofrer. De sentir que aquele pode ser o último minuto antes de me esbardalhar inconsciente numa valeta (nada dramática). É só naquela de não chegar ao Verão e o meu rabo ocupar 10m2 de praia cada vez que me sento.

O que é que nos faz dar o clique em relação a um blog?| 5

5. Partilhar

Último aspeto que me leva a seguir um blog. O grau de partilha do blogger. É um dos menos importantes, mas tem a sua importância.

Isto de partilhar não é tão linear quanto isso. É partilhar de maneira que não seja too much ou too less. Encontrar um equilíbrio. Para quem lê e para quem escreve. Há coisas que eu simplesmente não quero saber, e outras tantas que o blogger não quer partilhar porque é estar a entrar na esfera privada.

Quando se encontra o equilíbrio geram-se dois efeitos: o efeito “Espreitar pela fechadura” e o efeito “Ah! Afinal não sou a única!”.

Inegavelmente, não resistimos a saber o que se passa do outro lado do ecrã. Eu incluída. Acompanhamos de tal forma vidas alheias, que há sempre uma certa curiosidade associada à vida de quem vai alimentando um blog.

O outro efeito acontece quando nos identificamos com quem está do outro lado. Ah! Afinal não sou só eu que perco qualquer vida social em época de exames. Afinal não sou só eu que tenho professores parvos todos os dias. Afinal não sou só eu que só não andei à chapada com a minha vizinha, porque não calhou.

O que é que nos faz dar o clique em relação a um blog?| 4

4. Imagens

Há blogs que sigo unicamente por causa das imagens. Leio na diagonal o texto, regra geral pouco, e detenho-me a babar para as imagens inspiradoras. E a pensar que um dia vou ter um corpo assim, fabuloso. Ou vou fazer bolos que me deixam a salivar só de olhar. Ou vou correr o mundo e viajar até à exaustão. Ou vou ter uma casa tão minimalista como aquela e gira que se farta. Ou se calhar não. Mas isso, agora, também não interessa nada.

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