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My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

A publicidade e os blogs. Os blogs e a publicidade.

Esta coisa dos blogs e da publicidade não é fácil, mas acho que o pessoal tende a complexificar demasiado a coisa. Acho que se calhar, aos olhos dos mais puristas, eu tenho uma visão um bocado libertina em relação a este assunto. Não consigo ver problema nenhum num blog ter publicidade associada e não acho que um blog perca qualidade a partir do momento em que surja publicidade. Tudo depende da forma como se trabalha um texto publicitário. Se segue o mesmo registo do resto do blog, é apresentado de forma casual e quase não percebemos que estamos perante um texto publicitário, até se lê um texto deste género com o mesmo gozo que se lê qualquer outro texto. Se é copy paste do texto todo pipi enviado pela marca ao blogger e tem publicidade a gritar em cada virgula, venha o próximo e siga o baile. Atenção, que não estou a dizer, que não se deva mencionar que estamos a ler um texto publicitário. Acho que o blogger tem o dever de informar o leitor que está a ler um texto desse tipo. O que eu quero dizer, é que um texto publicitário pode ter o seu interesse desde que com a abordagem certa. E não acho que ter publicidade no blog seja vender a alma ao diabo.

Depois existe a questão da motivação com que se cria um blog. Eu penso que qualquer motivação é válida para se criar um blog. Incluindo a mais criticada pela maior parte do pessoal das lides blogosféricas: vir a ter mais valias com o blog. Se um blog tem bons conteúdos e foi criado com o intuito de ter contrapartidas, não deixo de o visitar só porque o autor, afinal, está interessado em mais do que despejar palavras. E quem diz palavras, diz imagens. O problema é que quem cria um blog só com o objetivo de o tornar rentável e nem gosta assim tanto disto, vai inevitavelmente acabar por desmoralizar. Primeiro, porque quando falamos de um assunto que gostamos e de forma genuína, isso transparece nos textos. O contrário também acontece. Se não houver alguma emoção associada, as pessoas não se vão interessar, o número de visitas e visualizações não vai aumentar e, consequentemente, não vão haver marcas a quererem associar-se. Segundo, há todo um processo de angariação de audiências que demora o seu tempo e que antecede o contacto das marcas. Sob este prisma torna-se contraproducente criar um blog só porque se esperam contrapartidas. Mas, não vejo qualquer problema em haver quem o faça.

A motivação certa para muitos é unicamente gostar disto. Eu não acho que tenha de ser assim. Acho que é possível gostar disto, mas também querer rentabilizar o blog. Eu não acordo de manhã e vou ter aulas só porque me quero realizar a nível pessoal, quero aprender e acho altamente interessante estar horas a fio a ouvir um professor a debitar matéria. Vou para as aulas, porque quero tirar boas notas e ter um bom emprego. Se me dessem à escolha entre ir estudar para a faculdade ou não, escolheria estudar, porque gosto de aprender. Mas não é a única motivação. E não vamos ser hipócritas e dizer que todos andamos (ou andámos) a estudar unicamente por realização pessoal. Da mesma forma, escrevo um blog porque gosto (muito) de escrever, mas também porque gosto de receber comentários, ver as visitas, as visualizações e os subscritores a aumentar. Caso contrário, pegava no que escrevia e fechava numa gaveta. Se puder ter contrapartidas do que escrevo, ótimo. Vá, não sejam pudicos e não digam que não, que publicidade nunca. Se nunca vier a ter contrapartidas financeiras, que é o mais provável, não acho que desista disto, porque, lá está, existem outras motivações.

Agora, expliquem-me, porque é que existem tantos pudores com a publicidade?

Quem não escreve...

Não sabe que escrever é voar. Um salto no vazio. Sem rede. Um frémito. Uma ansiedade boa sem limites de catapultar palavras cá para fora. Um role de palavras que fluem.

Quem não escreve não sabe o que é viver dentro dos seus próprios enredos. Andar sempre à cata de de transformar personagens em pessoas. O que é procurar desafiar os limites impostos pelas regras. Escrever desregradamente com regras é uma arte.

Quem não escreve não sabe que as palavras escondem labirintos, enrodelham-se, reinventam-se, desdobram-se...

Quem não escreve, não sabe muita coisa...

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Dramas de quem se dedica a um blog

Estar quase, quase a adormecer, naquele limbo em que já não estamos bem conscientes de nós, mas também ainda não estamos bem a dormir. Ter uma ideia para um post no blog. Enumerar tudo o que quero escrever mentalmente. Perceber que se não apontar vou-me esquecer de tudo (Eu, esquecida?! Cá agora...). Estender o braço a custo para a mesinha de cabeceira. Palpar entre revistas, livros (só leio um de cada vez, vá-se lá saber porquê tenho sempre vários na mesinha de cabeceira), tablet, carregadores, caixas (Eu, desarrumada?! Cá agora...). Encontrar, por fim, o telemóvel. Ligar o ecrã. Ficar encadeada com a luz. Ir até ao Memorando. Apontar o que tenho para apontar. Adormecer. Acordar no outro dia de manhã. Lembrar-me vagamente do que aconteceu. Tentar lembrar-me que post era aquele que eu queria escrever. Ir até ao Memorando. Descobrir qual era o post e agradecer por me ter dado ao trabalho de apontar.

Ter um blog é mais ou menos isto...

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