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My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

Vamos falar de questões pertinentes: risco ao lado vs. risco ao meio

Se há questão de suma importância nesta vida que urge destrinçar é a pertinência do risco ao lado vs. risco ao meio. 

Vejamos, durante longos anos usei risco ao lado. Ou melhor, usava 99% do cabelo de um lado da cabeça e abandonava sem dó nem piedade o restante 1% do outro lado da cabeça. Ainda hoje, quando vejo as fotografias, tenho um espasmo no olho esquerdo e vergonha. Muita verginha. E subitamente, vem-me à memória a minha mãe, com toda a sua experiência, a avisar-me que se calhar o meu risco ao lado tendia para um certo exagero. Mas eu, ceticamente, naquela idade em que nos achamos detentores de uma certa omnisciência, ignorei-a. Em parte por não conceber um risco que não fosse ao meio ou num dos extremos da cabeça. E para mim, risco ao meio era isto:

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Usar risco ao meio deixar-me-ia, irrevogavelmente, com consideráveis parecenças com o irmão do Tom Sawyer, o Sid. Nunca parecida com a Sara Carbonero, por exemplo.

2014-04-02-sara-carbonero.jpg

Portanto, a única hipótese passava por usar um risco ao lado que me dava um ar medonho.

Volvidos uns anos, resignei-me ao facto de que já ninguém usava risco ao lado. Muito menos, quando o risco batia a orelha. Um dia tracei uma linha direita que batia o meio da testa. Houve uma fase de habituação que requereu um certo distanciamento emocional da minha infância. O Sid continuava a atormentar-me cada vez que olhava ao espelho. Feita a habituação vivi uns anos feliz com um risco ao meio que pode não ter sido tão atormentador quanto isso.

Acontece que entretanto, descobri a existência de uma coisa chamada meio-termo. Não precisamos abandonar 1% do cabelo, enquanto os restantes 99% vivem sobrelotados qual sardinha enlatada capilar. Podemos fazer uma divisão 40/ 60, por exemplo, sem entrar em extremos.

Acho que é neste fase que estou, 40/ 60. E estou feliz. Nunca subestimem uma questão capilar. Esteja ela em que âmbito estiver. Pode arruinar-vos a auto-estima.

Quatro coisas que não vos dizem quando cortam o cabelo

Ao contrário do que vos podem fazer crer, ter um cabelo curto não é assim tãaaaaao espetacular. Também tem as suas desvantagens. Sim, também tem vantagens. Prova disso é que depois de o ter cortado curto, continuei a acertar as pontas para manter o corte. Mas… Cinco meses depois de me ter desfeito de 20 cm, com o devido distanciamento emocional e passada a fase de enamoramento vos posso dizer quatro desvantagens de ter o cabelo curto. Atentem o que vos digo.

1. Fase de habituação

É uma chatice descomunal. Depois de dois ou três anos (no meu caso) a pentear, secar e esticar o cabelo seeeempre da mesma maneira, mudar todo o processo, acertar os detalhes e pô-lo como idealizámos é um nada frustrante, porque parece que aconteça o que acontecer, ele vai ficar sempre o oposto do que queríamos.

2. O fenómeno "vida própria"

Depois de o cortar, senti este problema ampliado. Se comprido já tinha uma certa tendência a comportar-se de forma autónoma, curto a coisa só piorou. Acabo de o esticar, sinto-me para cima de fabulosa. Passado uma hora, volto a olhar para o espelho, e… O que é que se passou aqui?!

O fenómeno mais recorrente neste âmbito no meu cabelo tem sido a assimetria. Espetacular de um lado, assustador do outro.

3. Não há rabo-de-cavalo para ninguém

Está curto, não dá para atar. Tão simples quanto isso. E é chato. Porque toda a gente tem bad hair days, e como espetar com um saco na cabeça ainda não é opção, toda a gente sabe que bad hair days se resolvem com rabos-de-cavalo.

4. E de repente o cabelo vira uma destilaria

Isto não é tão matemático quanto isso. No meu caso, quanto mais curto está, mais lhe mexo. Puxo para trás da orelha, passo a mão pelo cabelo, enrolo no dedo, volto a passar a mão pelo cabelo… Tudo o que não se deve fazer quando temos glândulas sebáceas hiperativas (fofinhas…).

Vinte centímetros depois e uma doação

Eu tinha dito aqui que estava indecisa em relação a cortar o cabelo curto ou cortar apenas as pontas. Decidi cortar curto. Estava pelo meio das costas ficou acima da base do pescoço. Foi uma mudança enorme.

Há algum tempo atrás, depois de ler este post da Miss Tangerine, defini que se porventura cortasse o cabelo curto e na altura o tivesse comprido, queria doá-lo. Na altura, o meu objetivo seria doá-lo ao IPO, mas como de momento o IPO não está aceitar mais doações de cabelo, decidi escolher uma instituição internacional que aceitasse doações de outros países. Existem pelo menos duas instituições que aceitam cabelo para fazer cabeleiras para crianças vindas do estrangeiro: a Locks of Love e a Little Princess Trust. Eu optei pela Little Princess Trust porque o mínimo de comprimento aceitável são 17 cm, enquanto que na Locks of Love são 25,4 cm (10 inches). Em ambas as instituições os requisitos não são muito exigentes. Aceitam cabelo com cabelos brancos e cabelos pintados. O ideal é enviarem-no num saquinho transparente hermético, sempre numa trança ou rabo de cavalo. De qualquer das formas podem consultar as condições em ambos os sites.

Eu lavei e sequei bem o cabelo em casa, mas optei por não cortar a trança ou rabo-de-cavalo em casa. Pedi à cabeleireira que mo fizesse. E foi o melhor que fiz. Ela penteou-me bem o cabelo, dividiu-o em duas partes e cortou-o. Quando mo entregou percebi que tinha imeeeenso cabelo e fiquei ali uns segundos em choque a olhar para a minha imagem no meu espelho. Foi uma diferença muito grande. Foram vinte centímetros. Entretanto ela acertou o corte de cabelo, portanto no total devem ter sido perfeitos mais de vinte centímetros. O corte foi feito em seco e no início pensei que devia ter enlouquecido para fazer um corte tão radical. Aquela não era eu. Nunca o tinha cortado tão curto. Já o tinha cortado pelo pescoço, acima disso não. Entretanto a cabeleireira lavou-o, secou-o e esticou-o. O resultado foi um bob em que a parte da frente está mais comprida que a parte de trás. Gostei muito de me ver. Estou mais leve, com uma imagem mais clean. Só não sei porque é que ainda não tinha feito antes. Contra todas as minha expectativas ainda não me arrependi. Quando me viram pela primeira vez a maior parte das pessoas ficaram em choque, mas até agora ainda não houve ninguém que me tivesse dito que não gostava. A esmagadora maioria diz-me que me fica super bem, só duas ou três pessoas é que me perguntam se não tive pena ou como é que tive coragem.

Para ser sincera não tive pena. Não mesmo. Quer dizer há sempre aquele processo de desabituação. O cabelo estava tão grande, agora está curto, a minha imagem está diferente, a forma como cuido dele mudou… Mas são detalhes. Coloquei-o num saco transparente hermético e vou hoje enviá-lo para a Little Trust. Vai servir para fazer cabeleiras para meninos com cancro. Só por isso já valeu a pena.

Se alguém estiver numa situação mais ou menos semelhante à minha, experimentem. Porque não? É a tal história. È cabelo, cresce e estão a dar uma hipótese à mudança. E no meio disto tudo ainda há um gesto solidário bonito.

Vamos cortar o cabelo?

A minha pessoa teme claramente idas ao cabeleireiro. Nunca se sabe se em pedindo que se corte as pontas, sai de lá com menos 10 cm de cabelo. As pontas estão estragadas, mas não estão assim taaaanto. Vamos com calma, sim?

Mas chega a um momento em que não há como evitar, ou se vai ao cabeleireiro, ou se fica com cabelo de rato. Pontas espigadas pelo sol, secador, placas e afins; um corte escadeado que já foi escadeado, entretanto está só incerto;...

E eu, depois de muito olhar para o espelho, cheguei à conclusão difícil que lá terei de rumar ao cabeleireiro e entregar o meu cabelo a quem percebe mais dito que eu.

Antes de ir ao cabeleireiro eu penso muito sobre o assunto. Escadeado ou direito? Curto ou comprido? Difícil. Eu, indecisa? Naaaada.

Vamos por partes.

Comprimento. Eu estou farta de ter o cabelo comprido. Está assim para aí há três anos. Neste momento está pelo meio das costas. Mas, não sei se o quero mesmo cortar curto. É que depois ando um mês em depressão a pensar no que é que me meti e porque é que me meti. Sou uma exagerada do pior, eu sei. É só cabelo e com o tempo cresce. Mas até nos habituarmos, custa. Por outro lado, estou a precisar de uma mudança...

 

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Mais ou menos como isto. Ainda não decidi se o isto é por cima ou pelos ombros.

Corte. Não há grandes dúvidas em relação a este assunto. Escadeado. Tive-o direito durante imenso tempo. Um dia escadeei-o. Por fim, percebi que o cabelo direito não me favorecia. De todo.

Cor. Pronto. O descalabro é aqui. Eu nunca pintei o cabelo. Nunca. Sempre disse que gostava do meu tom de cabelo. E gosto. Portanto não vou mudar. Gostava apenas de introduzir uma ligeira mudança.

Eu passei uma vida a dizer que não gostava de madeixas californianas. A opinião mantém-se. Tenham lá paciência, mas ter o cabelo de duas cores diferentes não fica bonito. Por mais que vos façam crer que ter a raiz castanha escura e as pontas amarelas fica giro, não fica. Daqui a dez anos, quando olharem para fotografias vossas, com o devido distanciamento emocional, vão pensar porque é que os vossos amigos ou os vossos pais não foram sinceros convosco. Isso e ter o cabelo castanho com madeixas amarelas. Ou vermelhas. Tipo código de barras. Bah!

Mas há uma coisa que eu gosto. Ombré. Uma versão mais suave das madeixas californianas. Ou madeixas muito ténues no meu subtom. E ter coragem para isso? É que o corte, mesmo que fique mal, passado dois meses ele já está maior. A cor... Errr... Não é bem assim. È uma coisa mais definitiva. E já me estou a imaginar, no fim de cortar e fazer as devidas alterações à cor, andar à chapada com a cabeleireira e ficar dois meses sem conseguir olhar para o espelho. Não é uma visão bonita. Por isso acho melhor deixar-me estar sossegadinha, em vez de me pôr com ideias destas.

 

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 Uma coisa, mais ou menos natural, como isto. Sem passar de um tom para outro completamente diferente. E fazer-me entender? E ter a certeza que vai ficar como eu quero? Pois...