Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

Um 2º ano que já terminou

Ainda não vos disse, mas já estou de férias. Terminei o 2º ano. Doeu. Doeu muito. A sério que não exagero. Este ano foi difícil. Pior que o ano passado.

Voltei a questionar-me ininterruptamente se, realmente, era mesmo isto que eu quero fazer. E acabo, inevitavelmente, por chegar à conclusão, de que sim.

Acabei com uma média mais baixa que o ano passado. O que foi chato. O ano passado até tinha uma boa média. Mas sinceramente, sei reconhecer que foi culpa minha. De todas as vezes que deixei arrastar indefinidamente a matéria e esperar que por um qualquer fenómeno de osmose acabasse por assimilar tudo. Não aconteceu. A osmose. A assimilação lá acabou por acontecer, não da forma ideal.

Estou praticamente a meio do curso. Não sei se é bom, se é mau. É aquela coisa: copo meio cheio, meio vazio. Uma questão de perspetiva. Não sei dizer se já só falta metade. Ou se ainda falta metade. Sei que falta a pior metade, a mais difícel. Mas é só metade. E se uma já está quase feita, a outra não é impossível.

Obrigo-me a dizer que este ano, o próximo que vem aí, não vou deixar acumular matéria até quase ter uma síncope. Mas já me conheço demasiadamente bem para saber que estas promessas acabam, quase, quase, sempre, em nada. Tento pensar que para o ano vou ter mais aulas práticas. O que é positivo. Demasiada teoria é chato.

De qualquer das formas o segundo ano já está feito. Depois de ter andado a fazer melhorias até ao final de Junho, para esticar uma média vergonhosa (consegui!), de toda a gente já estar de férias e eu estar atolada em livros, resumos, sebentas e coisas dentro do género, estou de férias. Já fui à praia, já li muito, já me deitei tarde e levantei ainda mais tarde. Só isso… Já é qualquer coisa.

E Agosto há-de ser ainda melhor.

Estou viva. Só vou andar um bocadinho desaparecida.

Não desapareci. Não fui raptada. Também não faleci. Estou aqui. Vivinha da silva. Praticamente uma semana e meia de ausência, para quem quer escrever posts todos os dias (exceto fins-de-semana), é muito tempo. Eu sei.

Primeiro fiquei doente. Uma alergia cutânea horrível. A Primavera é tramada para estas coisas. Dose cavalar de anti-histamínicos e a coisa ficou resolvida. Depois uma gripe. Ou uma constipação. Não sei. Brufen no bucho e está feito. Ainda não está, que eu ainda tenho uma vontade permanente de espirrar em modo non stop. Também me dói levemente a garganta (nada de muito grave). E tenho de andar sempre com um carregamento de lenços. Ou então, esqueço-me, coisa frequente, e ando a pedinchar lenços a toda a gente.

Depois, não tenho tido muito tempo. Nesta fase crítica com faculdade e mais uma série de coisas a equilibrar com um malabarismo complicado, vir ao blog é uma variável difícil de inserir na equação. Tenho cá vindo na mesma. Leio os vossos blogs, venho ver se o meu não morre (tipo Tamagoshi) e depois fico com uma culpa desgraçada por não vir aqui escrever.

E, por último, mea culpa, eu sei, bateu uma certa falta de vontade de vir aqui. Não me apetecia escrever. Tinha assunto, mas não sabia como é que havia de desenvolver. Não estava a fluir. Vamos dar um tempo um ao outro. Dei e aquele ímpeto de escrever no blog voltou. Já sentia falta de vir aqui, abrir uma caixa de texto e escrever o que me apetecesse. No início fiquei ligeiramente preocupada, com esta súbita falta de vontade de escrever. Deixar de escrever num blog é asfixiá-lo aos bocadinhos, em morte lenta. Aniquilá-lo devagarinho.

Não vou deixar de escrever no blog, mas no próximo mês, o blog vai andar, com muita pena minha, a conta-gotas. Quando conseguir vir aqui, venho. Se não conseguir, ninguém morre por isso... É que de repente, comecei a pensar como é que ia ter tempo para vir aqui todos os dias, comecei a pressionar-me a mim própria e a ficar um quanto stressada. Foi aqui que percebi, que já chegava. Sem culpas, sem pesos na consciência. O blog, para mim, neste momento, é uma coisa que gosto de fazer, mas sem obrigatoriedade. Se não conseguir cá vir hoje, venho noutro dia. E há-de ser assim até fazer o último exame.

Pronto, é isto.

A prova de que a vida nem sempre é espetacular

Prometi que não ia ler mais até as aulas acabarem. Que não me ia desgraçar.

Mas oferecem-me livros, de autores que gosto muito, com sinopses que dão vontade de pegar e ler tudo em menos de nada.

Depois, fico com vontade de mandar promessas como esta às urtigas, ler muito e marimbar-me para a faculdade.

Mas, de repente, acometida de uma súbita sensatez, obrigo-me a recordar que não será de todo boa ideia se não quiser aniquilar o Verão e ir parar à 2ª fase.

Se a vida fosse espetacular estaria neste momento refastelada a ler. Não estou...

spring-reading.jpg

Cinco pessoas das quais queremos fugir nas aulas

As minhas aulas são tão produtivas que às vezes, qual epifania que desce sobre mim, tenho ideias para cima de espetaculares para possíveis posts (#sóquenão). Só por isso já vale a pena o sofrimento de me enfiar numa sala pouco ventilada e com gente chata.

Estava eu, na sala, a fazer oscilar os meus pensamentos entre parvoíces e inutilidades, quando me ponho a observar alguns colegas (já disse que gosto imenso de observar pessoas?). E reparo, depois de longos 13 anos disto (escola, faculdade, colegas, professores), que os meus caros colegas, aqueles assim mais caricatos, têm tendência a inserir-se num dos seguintes grupos:

A espécie que sabe tudo

Tudo. Tudo. Tudo. E fazem questão de me escarrapachar esse facto na cara. A mim e ao resto da turma. Não sei se têm vida própria ou se fazem alguma coisa para além de estudar. Se calhar não, digo eu… Não sei. Também não quero estar aqui a lançar calúnias. O problema reside não no facto de saberem tudo, que só por si já é bastante irritante, mas no facto de debitarem a matéria de uma forma estupidamente fabulosa (é inveja, sim). Uma coisa positiva nesta espécie, dão-me vontade de chegar a casa e estudar, estudar, estudar. O problema é que chego a casa e a vontade eclipsa-se. Se calhar trago um deles para casa, um dia destes.

A espécie que ‘tá nem aí

Podia vir um furacão, um terramoto seguido de um tsunami e de toda a panóplia de desastres naturais, que eles continuavam impávidos nos facebooks desta vida. Do mal o menos, não se estendem naquela ladainha insana de quem quer mostrar que sabe tudo, mas afinal não sabe. Até nem são más pessoas, acham é aquilo chato. No fundo, até sinto alguma solidariedade.

A espécie que tem simbiose com perguntas parvas

Não fazem por mal, coitadinhos. Perguntam porque não sabem, porque querem mostrar interesse, porque… Às vezes, porque são parvos mesmo, pronto. Mas uma pessoa não tem culpa de ser parva, como está bom de se ver. É chato é eles aperceberem-se do facto de que a pergunta é parva, mas insistirem em fazê-la.

Ó professor, eu sei que a pergunta é parva, mas…

Ó alma de Deus, se a pergunta é parva e se tu sabes que é parva, calas-te antes que eu, num ato de desespero, me lembre de atirar o meu estojo num voo picado diretamente ao teu encéfalo. Difícil vai ser acertar, que para além da minha fraca pontaria o teu encéfalo, segundo desconfio, também não deve ter proporções muito abundantes.

A espécie que pensa que sabe tudo, mas afinal, veja-se lá o azar, não sabe

Estes não mereciam só o estojo. Mereciam o estojo, as sebentas, os livros… Tudo de rajada até se calarem. São aquele género de pessoas que pensam serem dotados de uma certa omnisciência. O problema é que na prática, não são. O professor vai fazendo perguntas, eles vão errando e no final, quando o professor dá a resposta, olham para ele e dizem:

Claro, claro, professor é isso mesmo.

No fundo, sempre souberam as resposta, querem é testar os mentecaptos dos colegas.

A espécie que coloca muuuuuitas dúvidas. Muitas mesmo.

Tantas que mais uma vez despoletam em mim instintos assassinos e uma vontade mórbida de que o meu material de sala de aula vire arma de arremesso. Não são dúvidas parvas. São dúvidas. Mas é uma quantidade hiperbólica de dúvidas.

Menos. Muito menos.

E de cada vez que vejo o dedinho no ar instalado por cima da cabeça de uma dessas alminhas, tremo. Tremo muito. Principalmente quando vejo o ponteiro aproximar-se da hora de saída.

Uma espécie de serviço público

Estava a estudar e a ouvir música no Spotify (sempre!) e passa aquele reclame da Galp que começa com uma pergunta algo semelhante a isto:

Achas que o mundo era o que era se não fosses tu?

Está uma pessoa para lá de deprimida, de caneta em riste, rodeada de livro, folhas, cadernos e restante parafernália dentro do género, até que entra aquela voz feminina devidamente modulada cérebro dentro. E começa a massajar-nos o ego.

És espetacular. Estás sempre a influenciar os outros.

Até se me vem uma lágrima ao canto do olho.

E pronto, uma pessoa ganha uma nova motivação para estudar. Chama-se a isto serviço público.

tumblr_mz1rwlAhkK1t873nao1_500.jpg

 

Sinto-me dividida entre instintos suicidas e instintos homicidas*

Pergunto ao professor:

- Isto pode sair na frequência?

- Claro.

- Mas é matéria do ano passado.

- E...?!

Com ar de quem me está a dizer que a matéria é cumulativa e isso é simplesmente a coisa mais natural do mundo.

Mato-me a mim ou mato-o a ele?

*Brincadeirinha, hã? Que eu sou por natureza uma pessoa muito pacifica. Ou pelo menos suficientemente pacífica para não me matar ou matar pessoas.

Imbróglios de uma pessoa com tendências procrastinativas

Todos os anos digo: "Vai ser este ano, caramba. Este ano vai ser espetacular. Vou ter os resumos em dia, vou estudar sempre a matéria à medida que a formos dando, vou ser meticulosamente organizada... Vai ser a bombar. Vou tirar notas bestiais. Ninguém me pára.". Escusado será dizer que nunca, mas nunca tenho a matéria em dia. O que me deixa à beira de um colapso nervoso, tal é a quantidade de matéria acumulada. É para aprenderes, miúda.

Professores...

Já tive ótimos professores e já tive péssimos professores. E sei bem que um professor pode mudar para uma forma totalmente diferente a maneira como olhamos para uma determinada matéria. Nunca gostei de Filosofia e acho que talvez o deva à péssima professora de Filosofia que tive. Por outro lado, tive uma ótima professora de Biologia que me fez gostar imenso da disciplina e trabalhar com muito mais esforço. Não é matemático, mas um bom professor faz toda a diferença.

Este ano ia ter uma cadeira muito similar a uma que já tinha tido o ano passado. E sabe Deus o que eu penei com aquilo o ano passado. Fartei-me de estudar e o que me valeu foi na frequência ter sido tudo relativamente acessível, porque eu tenho noção que o que eu apreendi daquela cadeira, muito importante por sinal, foi qualquer coisa perto de zero. Este ano, imaginava um cenário muito idêntico. Em que ia ter de estudar muito em casa e ser muito auto-didata. Nem é que eu me importe, porque acho que quando descobrimos e percebemos as coisas por nós próprios, a matéria fica mais bem retida, o problema vem do facto de que às vezes uma pessoa por mais que tente, não consegue ir lá sozinha. Tive a sorte, este ano, de ter um ótimo professor. Explicou-nos tudo pormenorizadamente, esclareceu todas as dúvidas, mostrou o porquê e isso faz toda a diferença. Faz mesmo. Não é memorizar só por memorizar. É perceber porque é que é sim. As aulas são muito mais interessantes, temos de estudar menos em casa, gostamos mais da matéria, não me sinto a andar à deriva no meio da aula. Ótimo, fiquei mesmo contente.

Voltei a ter uma cadeira que toca em alguns aspetos a cadeira do outro professor muito bom. E, foi péssimo. A fasquia já estava alta, já tinha tido um professor com um nível muito bom, enfim... Tudo isso acabou por não ajudar muito. Mas este novo professor, que eu por acaso até já conhecia, mostrou-me novamente o lado negro do ensino. Esteve a aula toda a alternar entre ler o powerpoint e recitar matéria a um velocidade estonteante. Eu sei que ele sabe aquilo tudo. E que é tudo mais que óbvio. Mas é óbvio para ele, porque eu saí em desespero da última aula dele. Sem saber muito bem onde é que aquela injeção de matéria me tinha levado. E essa mesma matéria na qual ainda não voltei a pegar deixa-me perto de uma apoplexia só de pensar que nos vamos encontrar em breve numa frequência. Eu tenho duas soluções: ou entendo aquilo ou memorizo. O problema é que eu não consigo entender aquilo. Sempre posso enviar um mail com dúvidas, mas são tantas e ele demora tanto tempo a responder.

Estou tramada...

tumblr_lg1zglMS4m1qazkdco1_500.gif

O meu curso (Ou o caminho marítimo para a Índia)

Os meus professores têm a mania, sabe Deus porquê, de contarem histórias aterrorizadoras dos últimos dois anos do curso. Desistências, repetências, exames complicadíssimos... Ainda não percebi o objetivo. Se é:

1. Fazer-nos desistir. O que se calhar não é muito boa ideia, porque sem alunos eles deixam de poder dar aulas..

2. Divinizá-los. São umas criaturas abençoadas com uma capacidade fora do normal (como os portugueses n'Os Lusíadas) que conseguiram acabar o curso sem desistir ou ficar lá mais um ano. Qual Adamastor derrotado com êxito.

Seja qual for o objetivo que escapa à minha perspicácia, já paravam, não?

tumblr_inline_n9n26iP8Qq1rba57i.jpg