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My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

Leituras| A Elite

*Alerta Spoiler*

Second roun: A Elite.

Eu tenho um problema com segundos volumes de uma trilogia. Regra geral, o segundo livro tende a ser aquele em que tudo o que podia correr mal, corre mal. A Elite, por acaso, até é uma versão soft deste fenómeno.

Começa tudo bem. Eles estão juntos. O Maxon gosta da America e a America gosta do Maxon, embora ainda não tenha decidido se quer mesmo ficar com o Maxon. Eu posso ser indecisa, mas a America está noutra dimensão. É a superlativação deste problema. Por causa disso, é que há uma fase em que o livro começa a descambar. Eles começam a afastar-se e o próprio Maxon começa a ficar com dúvidas se quer mesmo ficar com a America. E é aqui que A Elite toma os contornos de um típico segundo volume.

Como a America não se decide, o Maxon começa a considerar a hipótese de escolher outra candidata. Convenhamos que ele não pode chegar ao fim da Seleção e concluir que a escolhida não está interessada nele. Por outro lado, a America alimenta simultaneamente uma relação com Maxon e Aspen. E no meio disto tudo, o Maxon ainda se acaba por envolver com a Celeste, outra das candidatas. Espetacular, não é? Nesta fase, apetecia-me saltar para dentro do livro e esbofetear cada um dos dois. Vocês têm de ficar juntos, ok?! Parem de ser parvos. Mas eles continuam a ser parvos, cada vez se afastam mais e mal falam um com o outro. Até que a America, numa espécie de vingança pessoal, decide expor um conjunto de factos confidenciais, que dizem respeito ao sistema de castas e foram descobertos graças ao Maxon ter confiado nela. E para piorar toda a situação, fá-lo televisivamente. A miúda, às vezes, fica a dever um bocadinho à inteligência. O rei, que é uma besta, e considera isso uma afronta, decide, obviamente, expulsá-la do palácio. Só que, depois de todo este imbróglio (palavra mais gira!), os rebeldes atacam o país e durante a fuga, a America e o Maxon acabam por fugir os dois e, por um feliz acaso, ficam trancados num dos abrigos. Nesta fase, já o livro está mesmo no fim. Esta é outra das características dos segundos volumes. Só mesmo, mesmo, mesmo no fim, é que a coisa dá a volta. E o segundo volume, acaba com eles juntos e felizes. Ok, não juntos e felizes, porque tem de haver material para o terceiro volume, mas menos afastados e menos infelizes.

Aspetos positivos do segundo volume:

Tem aquelas cenas românticas, fofinhas, cutxi-cutxi e tudo mais de deixar uma lagrimazinha no canto do olho.

Tem uma cena em que a America admite que não gosta de dançar e me levou a pensar “Se ela dança mal e arrebatou um príncipe, só podem estar reservadas coisas muito boas para a minha pessoa”. Posto isto, tenho de fazer uma pesquisa profunda nas famílias reais desse mundo fora.

Não é tão negativo como a maioria dos segundos volumes.

Não se concentra tanto na parte romântica da Seleção como o primeiro volume e explora mais os ataques rebeldes. Vai revelando a origem dos ataques rebeldes, o que dá alguma ação ao livro. Não muita, continua a ser cliché e romântico, mas permite a existência de outras dinâmicas.

Aspetos negativos do segundo volume:

É tão romântico, fofinho, cutxi-cutxi e tudo o mais que uma pessoa quase entra numa overdose de amor. Vamos com calma. No domínio do romance há cenas bonitas e há cenas pirosas. É uma linha ténue, facilmente transponível. As segundas fazem-nos corar de vergonha alheia. E não é o que nós queremos, certo?

Os ataques rebeldes podiam ter sido mais bem explorados. Não digo que descentrássemos da Seleção em si e passássemos a ter um relato minucioso dos ataques, mas acho que podia ter sido adicionado o fator suspense.

A poligamia. Está certo que eles andarem desencontrados dá ali alguma animação, mas escusavam de andar tão desencontrados entre eles os dois e tão suscetíveis a encontros com o resto do mundo.

Os nomes. Quem é que chama uma personagem de America?! Ainda pior, America Singer. Eu, pessoalmente, acho uma ideia péssima, tendo em conta que é uma personagem principal. E pelo Goodreads, não sou a única a achar.

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Leituras| A Seleção

*Alerta Spoiler*

Uma amiga disse-me que tinha duas opções: ou lia A Selação ou lia A Seleção. Um ultimato, portanto, para me apresentar a ausência de escolha. Eu, ainda resisti, mas acabei por ceder. Estamos a falar de YA num registo muito girly. Um dos meus pontos fracos, portanto, de uma forma ou outra, ia acabar por ler esta trilogia.

O livro, tal como o título indica, trata de uma seleção. Tendo como objetivo unir o país, quando o príncipe herdeiro chega ao trono tem de escolher uma mulher plebeia para casar. Raparigas de todas as castas concorrem com o objetivo de serem selecionadas aleatoriamente para um grupo de trinta e cinco raparigas que irão viver para o palácio até o príncipe herdeiro decidir com qual irá casar.

America, a nossa personagem principal, acaba por concorrer, embora a última coisa que quer seja ser selecionada e esteja apaixonada por Aspen. Estão a ver o que acontece? É selecionada para integrar as trinta e cinco raparigas.

Quando chega ao palácio, informa imediatamente o príncipe, Maxon, que não está interessada nele, mas aceita-o como seu amigo durante o período que permanecer no palácio. Esperta a miúda, hã? Tem trinta e quatro mulheres a babarem por ele e uma que jura a pés juntos que tem zero interesse por ele. Qual é que ele havia de querer? A America, claaaaaro, a difícil.

Sim, é um bocadinho cliché, mas acho que isso é que lhe dá uma certa piada.

Destas trinta e cinco mulheres terá de ir afunilando o número de candidatas até chegar à eleita. O primeiro volume acaba com apenas 6 candidatas. Ora, para escolher uma entre trinta e cinco, tem de ter encontros com cada uma, conhecê-las, falar com elas… A parte dos encontros com toooodas as candidatas soa-me a uma relação meio polígama. Estamos a falar de encontros românticos. Basicamente o sonho de qualquer homem. Andar simultaneamente com trinta e cinco mulheres sem pesos na consciência.

Como o livro é narrado por America não vamos tendo acesso a esses encontros, apenas aos encontros entre Maxon e America. E é a partir desses encontros que vamos percebendo que se vão apaixonando gradualmente. Sim, eles apaixonam-se. Mas, para complicar um bocado a coisa, a America ainda está apaixonada por Aspen. E, adivinhem, quem se torna guarda no palácio? Aspen. Fica então completo o triângulo amoroso.

Chateia-me ela não saber com qual dos dois quer ficar. Chateia mesmo. Assim como chateia o Maxon estar apaixonado por America, mas continuar com os encontros com todas as outras. Grrrr… Não me perguntem porque é que fui sempre team Maxon, não reconheço mais qualidades em Maxon do que no Aspen. Mas há ali qualquer coisa, apesar de tudo o que o Maxon possa fazer de parvo, que me faz querer que a America e o Maxon acabem juntos. A própria autora não percebe o quê e diz que inicialmente o plano era a America e o Aspen ficarem juntos, até que depois de acabar o livro o lê e percebe que não, que a America está bem é com o Maxon (eu avisei que tinha spoilers). Diz que ouviu a personagem. Acho fabuloso quando os autores dizem que ouvem as personagens. Um nada esquizofrénico, convenhamos.

No meio disto tudo, ainda há as restantes trinta e quatro candidatas. Juntar trinta e quatro mulheres e pô-las a lutar pelo mesmo homem… dá disparate, como é óbvio. Aquelas cenas tipicamente femininas sem pingo de lógica. Ainda por cima, pô-las a passar o dia juntas na mesma divisão. Portanto a dinâmica entre as trinta e cinco também é muito interessante. Há aquele espírito de competição, disputas, discussões, mas também há as que se tornam besties, amigas para todo o sempre, uma certa solidariedade de quem está no mesmo barco para o que der vier. E há a Marlee. Muito importante. Uma das candidatas e a melhor amiga da America. Que é uma querida. Fofinha, mesmo. Sem ironias.

No meio disto tudo há as entrevistas. O acompanhamento televisivo de tooodo o processo. Esta parte acabou a fazer-me lembrar The Hunger Games (THG). O espírito é diferente. Em THG luta-se pela vida, n’A Seleção luta-se por um homem. Mas no fundo, no fundo, até há ali algumas parecenças.

Para adicionar alguma ação ao livro, o palácio é frequentemente alvo de ataques sulistas e nortistas, o que transforma o livro em algo não assim tão pink e dá para desenjoar do romance.

Em relação à minha opinião e muito sinteticamente: gostei, tem um enredo muito giro, parte de um conceito muito engraçado, mas depois acho que foi mal desenvolvido em algumas fases. Agarra (li-o num dia), mas não é surpreendente. Falta ali qualquer coisa. Não sei explicar.

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