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My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

Quando o passado se cruza connosco no presente

Encontrei a minha professora de Português do 5º e do 6º. Na altura em que me deu aulas, há quase dez anos, tinha 70 anos, agora, deve ter quase 80. Cruzei-me com ela e reconheci-a logo. Ninguém diria a idade que tem. Continua uma senhora lindíssima.

Há pessoas que nos marcam infinitamente. E eu tenho vários professores que me marcaram muito. Esta professora foi uma delas. Ao longo destes dez anos, às vezes, lembrava-me dela, sem grande esperança de a reencontrar. Por um acaso feliz, esbarrei com ela na rua. Muito simpática. Tentou reconhecer-me, mas não conseguiu. Tive tanta pena.

Há medida que ia falando com ela, fui desfiando o passado e dei por mim a lembrar-me de coisas que pensava que nunca mais me ia lembrar. O número da sala onde nos dava aulas - 56. A fada Oriana. Os heróis do 6ºF. O teatro sobre a história de Portugal. Eu vestida de Infante D. Henrique. Eu a correr para a biblioteca para ir buscar mais um livro.

O tempo passa à mesma velocidade que uma trinca de muffin de chocolate desaparece na boca. Quando damos por ele, já foi…

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Sinto-me dividida entre instintos suicidas e instintos homicidas*

Pergunto ao professor:

- Isto pode sair na frequência?

- Claro.

- Mas é matéria do ano passado.

- E...?!

Com ar de quem me está a dizer que a matéria é cumulativa e isso é simplesmente a coisa mais natural do mundo.

Mato-me a mim ou mato-o a ele?

*Brincadeirinha, hã? Que eu sou por natureza uma pessoa muito pacifica. Ou pelo menos suficientemente pacífica para não me matar ou matar pessoas.

Professores...

Já tive ótimos professores e já tive péssimos professores. E sei bem que um professor pode mudar para uma forma totalmente diferente a maneira como olhamos para uma determinada matéria. Nunca gostei de Filosofia e acho que talvez o deva à péssima professora de Filosofia que tive. Por outro lado, tive uma ótima professora de Biologia que me fez gostar imenso da disciplina e trabalhar com muito mais esforço. Não é matemático, mas um bom professor faz toda a diferença.

Este ano ia ter uma cadeira muito similar a uma que já tinha tido o ano passado. E sabe Deus o que eu penei com aquilo o ano passado. Fartei-me de estudar e o que me valeu foi na frequência ter sido tudo relativamente acessível, porque eu tenho noção que o que eu apreendi daquela cadeira, muito importante por sinal, foi qualquer coisa perto de zero. Este ano, imaginava um cenário muito idêntico. Em que ia ter de estudar muito em casa e ser muito auto-didata. Nem é que eu me importe, porque acho que quando descobrimos e percebemos as coisas por nós próprios, a matéria fica mais bem retida, o problema vem do facto de que às vezes uma pessoa por mais que tente, não consegue ir lá sozinha. Tive a sorte, este ano, de ter um ótimo professor. Explicou-nos tudo pormenorizadamente, esclareceu todas as dúvidas, mostrou o porquê e isso faz toda a diferença. Faz mesmo. Não é memorizar só por memorizar. É perceber porque é que é sim. As aulas são muito mais interessantes, temos de estudar menos em casa, gostamos mais da matéria, não me sinto a andar à deriva no meio da aula. Ótimo, fiquei mesmo contente.

Voltei a ter uma cadeira que toca em alguns aspetos a cadeira do outro professor muito bom. E, foi péssimo. A fasquia já estava alta, já tinha tido um professor com um nível muito bom, enfim... Tudo isso acabou por não ajudar muito. Mas este novo professor, que eu por acaso até já conhecia, mostrou-me novamente o lado negro do ensino. Esteve a aula toda a alternar entre ler o powerpoint e recitar matéria a um velocidade estonteante. Eu sei que ele sabe aquilo tudo. E que é tudo mais que óbvio. Mas é óbvio para ele, porque eu saí em desespero da última aula dele. Sem saber muito bem onde é que aquela injeção de matéria me tinha levado. E essa mesma matéria na qual ainda não voltei a pegar deixa-me perto de uma apoplexia só de pensar que nos vamos encontrar em breve numa frequência. Eu tenho duas soluções: ou entendo aquilo ou memorizo. O problema é que eu não consigo entender aquilo. Sempre posso enviar um mail com dúvidas, mas são tantas e ele demora tanto tempo a responder.

Estou tramada...

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O meu curso (Ou o caminho marítimo para a Índia)

Os meus professores têm a mania, sabe Deus porquê, de contarem histórias aterrorizadoras dos últimos dois anos do curso. Desistências, repetências, exames complicadíssimos... Ainda não percebi o objetivo. Se é:

1. Fazer-nos desistir. O que se calhar não é muito boa ideia, porque sem alunos eles deixam de poder dar aulas..

2. Divinizá-los. São umas criaturas abençoadas com uma capacidade fora do normal (como os portugueses n'Os Lusíadas) que conseguiram acabar o curso sem desistir ou ficar lá mais um ano. Qual Adamastor derrotado com êxito.

Seja qual for o objetivo que escapa à minha perspicácia, já paravam, não?

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