Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

Porque é que escrevo num blog?

Porque se não escrevesse num blog, haveria de o fazer noutro sítio qualquer. Num bloco de notas. Ou nas últimas folhas do caderno de uma cadeira qualquer. Ou num documento word. E guardaria tudo, fechado a sete chaves, numa gaveta, ou numa pen, longe dos olhares indiscretos. Mas escreveria, o que quer que fosse. Porque não consigo viver sem escrever. Mesmo que fique bastante tempo sem escrever, na volta, pego em qualquer coisa e ponho-me a debitar palavras. Às vezes, assim, à toa. Nunca percebi este mecanismo, que se desencadeia em mim, mas me organiza a mente. Escrever é a minha forma de encaixotar a vida. E é também a minha forma de me sentir mais feliz. A sério. Não sei bem porquê. Como se escrever fosse assim uma coisa fabulosa. Para mim, é.

E lembro-me que isto já vem de há tanto tempo. Escrevendo o que quer que fosse. Lembro-me que houve uma fase, nessa ilusão remota de que para se ser escritor tem que se apenas e somente debitar palavras. Quis ser escritora. (Quem é que eu quero enganar?! Ainda quero… Ainda vivo nessa ilusão infantil). Tinha 13 anos. Se calhar, 12. E meti isso na cabeça. Escrevi um texto enorme, tipo ficção. Era o meu livro. Uma vez, a tentar transferi-lo de um computador para o outro, ou para uma pen, não sei bem, perdeu-se para todo o sempre, de uma forma incontornável. Chamava-se A Janela por onde entra o luar. Meio poético, meio tolo. Senti a maior frustração da minha vida. Ainda tentei escrevê-lo de novo, mas já não consegui. Lembro-me que escrevê-lo era uma descoberta, cada parágrafo, cada página, uma descoberta que eu própria fazia, sem saber muito bem até onde é que as personagens me podiam levar. Tentar escrever de novo uma coisa que já tinha sido escrita, fazia desaparecer grande parte daquele encanto. Peguei noutro documento word e escrevi outro texto, igualmente com proporções bastante maiores do que o suposto para um simples texto. Também lhe chamei livro. Ou se calhar, não. Já não sei se tive coragem para tanto. Tinha 13 anos na altura em que escrevi esse texto. Ainda o tenho e acho que há-de ficar. Tremo com uma certa vergonha alheia cada vez que o leio. Envolto em todo um dramatismo, e em palavras enroladas umas nas outras, muitas palavras que complexificavam o que era simples. Um exagero de palavras e coisas complicadas. Dentro de um enredo infantil. Mas depois, lembro-me, caramba, tinha 13 anos. Não ia escrever, de certeza, um Nobel. Voltei a embarcar na aventura de escrever outro texto. Mais ou menos na mesma altura em que escrevi os outros dois. Esse nunca acabei. E tenho pena, porque não sei como acaba, o que é feito das personagens e da vida daquela gente. Já não o posso acabar, porque a pessoa que o começou já não é a pessoa que eu sou agora. Se lhe pegasse, só para consumo próprio, só para me divertir um bocado, dava-lhe uma volta muito grande e tirava-lhe aquela essência infantil e ingénua. No fundo, bonita, a seu jeito. Tenho mais uns textos perdidos, mais umas coisas, na maioria ficção, outros gritos mudos de uma adolescente incompreendida (quem nunca?). Vai na volta, escorrego por eles. Os textos. Leio aquelas palavras que já foram minhas e que agora me são completamente distantes e tão pouco minhas.

É por isso que escrevo. Porque não concebo viver de outra forma que não a datilografar a vida. Minha ou de outra gente qualquer. Mesmo que seja uma escrita pobre, uma coisa sem jeito, que só eu percebo e só eu entendo. Sinto-me feliz, tão imensamente a fazê-lo. Catapultá-lo para o blog foi só dar, se calhar, uma vertente mais narcisista à coisa. Gritar ao mundo, olhem aqui o que eu escrevi. E esperar que o mundo me oiça, não me devolva as palavras e vá tão simplesmente á sua vidinha.

Escrevo também para um dia olhar e ver o que vivi. O que passei. O que pensei. Sei lá. Temos uma memória tão vaga, tão preenchida de lacunas. No fundo, um blog é um registo. Se calhar, daqui a uns anos vou ler o que escrevi e agradecer mentalmente por ter tido a ideia iluminada de o deixar em anónimo e ninguém saber que fui eu que escrevi aquelas palavras que, na altura, me hão-de dizer tão pouco.

Ás vezes a felicidade alheia aleija

Às vezes acontece. A felicidade alheia aleija. Dói. Faz comichão.

Não é inveja. Não é querer que caia um raio em cima do outro. Que seja atropelado por um camião TIR. Ou tenha um cancro terminal.

Pode continuar feliz. Mas nós também queremos um bocadinho dessa felicidade.

E inevitavelmente chegamos àquela pergunta: Porque é que ele(a) pode e eu não?

É só às vezes, muito raramente. Mas acho que já toda a gente teve aquele momento de comparação aliado a uma certa auto-vitimização. Depois passa. E já não dói, nem faz comichão.

Depois passa e lembramo-nos que grande parte dessa felicidade depende de nós. Soa a cliché, mas é verdade. Muitas vezes.

550.jpg

Não é que o Nicholas Sparks se separou?!

Como ávida leitora que sou, entre tudo o que leio, também leio Nicholas Sparks (nunca sei como é que se escreve o nome do homem, lá vou eu rumo à Wikipedia confirmar). E gosto. Vá, chamem-me nomes.

Andava eu a fazer uma pesquisa na Internet, já nem sei muito bem sobre o quê, e descubro que ele se divorciou. Como?! Como é que é possível?! É nestas alturas que eu perco a esperança no mundo…

Uma das minhas paranóias com livros é ler com um certo prazer furtivo os agradecimentos. Como quem espreita pelo buraco da fechadura. Acho que em parte se deve à minha tentativa de descobrir um bocadinho da vida do autor. Pois bem, eu suspeito que o Nicholas Sparks e a respetiva mulher deviam certamente desconhecer o que eram métodos contracetivos. Cada livro que passava já tinham feito mais um filho. Tinham um molho de filhos sempre a aumentar. E eu imaginava-os imensamente felizes. Não que os filhos trouxessem felicidade. Mas só um casal estupidamente louco, apaixonado e feliz se lembra de fazer um rancho de filhos. Caso contrário, é a receita perfeita para arruinar um casamento.

A acrescer a isto tudo, há os livros. Não confundindo realidade com ficção, o homem sabia o que fazer para deixar uma mulher a babar. Prova disso são os enredos dos livros. Eu via-o como um guru do amor. E imaginava também que a mulher tinha uma sorte enorme com um homem assim.

Pois bem, depois disto a minha teoria caiu por terra. Estão separados… Oh! Que desgosto… Não sei como me recomponha.

Sim, eu sei... Já foi há um ano. Mas, eu só descobri agora. E tinha de vir aqui, mostrar a minha indignação.

Alguém me explica como se eu fosse extremamente acéfala…

Porque motivo as passadeiras não têm TODAS uma rampa no início e no fim? Eu até percebia se estivéssemos a falar de uma infra-estrutura com um valor astronómico, uma coisa assim mesmo disparatada. Mas não estamos. Estamos a falar de uma coisa para lá de simples que evita que quem tenha de andar com carrinhos de bebés tenha de içar o carrinho passeio a cima com um esforço hercúleo ou quem tenha o azar de andar numa cadeira de rodas tenha de fazer parte do percurso pela estrada até ter a sorte de encontrar uma rampa que lhe permita fazer o resto do caminho numa passadeira.

 

Quatro coisas que não vos dizem quando cortam o cabelo

Ao contrário do que vos podem fazer crer, ter um cabelo curto não é assim tãaaaaao espetacular. Também tem as suas desvantagens. Sim, também tem vantagens. Prova disso é que depois de o ter cortado curto, continuei a acertar as pontas para manter o corte. Mas… Cinco meses depois de me ter desfeito de 20 cm, com o devido distanciamento emocional e passada a fase de enamoramento vos posso dizer quatro desvantagens de ter o cabelo curto. Atentem o que vos digo.

1. Fase de habituação

É uma chatice descomunal. Depois de dois ou três anos (no meu caso) a pentear, secar e esticar o cabelo seeeempre da mesma maneira, mudar todo o processo, acertar os detalhes e pô-lo como idealizámos é um nada frustrante, porque parece que aconteça o que acontecer, ele vai ficar sempre o oposto do que queríamos.

2. O fenómeno "vida própria"

Depois de o cortar, senti este problema ampliado. Se comprido já tinha uma certa tendência a comportar-se de forma autónoma, curto a coisa só piorou. Acabo de o esticar, sinto-me para cima de fabulosa. Passado uma hora, volto a olhar para o espelho, e… O que é que se passou aqui?!

O fenómeno mais recorrente neste âmbito no meu cabelo tem sido a assimetria. Espetacular de um lado, assustador do outro.

3. Não há rabo-de-cavalo para ninguém

Está curto, não dá para atar. Tão simples quanto isso. E é chato. Porque toda a gente tem bad hair days, e como espetar com um saco na cabeça ainda não é opção, toda a gente sabe que bad hair days se resolvem com rabos-de-cavalo.

4. E de repente o cabelo vira uma destilaria

Isto não é tão matemático quanto isso. No meu caso, quanto mais curto está, mais lhe mexo. Puxo para trás da orelha, passo a mão pelo cabelo, enrolo no dedo, volto a passar a mão pelo cabelo… Tudo o que não se deve fazer quando temos glândulas sebáceas hiperativas (fofinhas…).

Perdi a memória e dou alvíssaras a quem ma encontrar

Perdi a minha memória. É um acontecimento chato, porque sabem, dava-me um jeito desgraçado. Do mal o menos, não foi toda a memória. Foi só aquela que se usa para nos lembrarmos do porta-chaves, dos chapéus-de-chuva, do jantar no fogão, daquela ficha que o professor manda para o moodle, daquele encontro que combinámos com uma amiga, dos óculos-de-sol… Perceberam a ideia? Pronto, perdi essa memória. Ofereço alvíssaras a quem ma encontrar. De verdade. A minha mãe também vai a casa da pessoa que ma encontrar dar um par de beijos repenicados. É que ela irrita-se um bocadinho com esta minha perda. Um bocadinho é um eufemismo, convenhamos.

Na verdade, o que não vem ajudar muito, eu não sei exatamente quando é que a perdi. Portanto é difícil, também, precisar onde a perdi. O que não ajuda muito na recuperação. Lembro-me de andar no quinto ano e todos os dias (TODOS) procurar loucamente pelo cartão da escola. Pelas chaves de casa. Pelo telemóvel. Pelo casaco. Porque me esquecia sempre onde deixava tudo (TUDO). Assim de forma superlativa. Com a idade era expectável que a coisa melhorasse. Volvidos quase dez anos, continuo igual ou pior. Numa busca contínua por tudo. Pela própria memória, inclusive. Valha-me a agenda. O pior é quando caio no erro de pensar que sim, que me vou lembrar, não vale a pena apontar, que disparate, havia lá de me esquecer. Esqueço, como é óbvio.

Pronto, fica o recadinho dado. Perdi a memória e dou alvíssaras a quem ma encontrar.

Eu ia correr, mas começou a chover. A sério que sim.

Estou eu a preparar-me para ir correr. Ponho t-shirt, leggings e afins em cima da cama quando, assim do nada, começa a fazer uma ventania e a chover torrencialmente (pronto, a chover torrencialmente também, mas a chover). Eu olho para a janela, arreliadíssima da vida. Logo agora, que eu ia correr, havia de começar a chover, e a fazer vento. Ainda pensei pegar nos ténis e fazer-me à estrada na mesma, mas como está bom de se ver, sou uma pessoa com tendência a constipar-me. Se apanho frio e água, fico de cama em menos de nada. Pus de lado a hipótese (quem é que estou a tentar enganar?! Nem sequer tinha chegado a pôr essa hipótese...), inconformadíssima. Francamente, que pontaria desgraçada.

A reter para futuras conversas com mães

Estava a falar com uma amiga e quando reparo estamos a falar num tema tão interessante como... lombrigas. Inevitavelmente quando se fala em lombrigas tem de se falar em... cocó (não há melhor forma de me referir a isto sem ser ofensivo ou parecer que estamos num laboratório de análises clínicas). Ora, essa minha amiga é mãe, por esse motivo é que sem grande propósito em concreto começámos a falar de parasitas que habitam alegremente no intestino. A reter para futuras conversas com mães:

1. As mães falam de tudo, sem pudores. Vomitado, ranho, xixi, cocó... Diz respeito aos filhos, tem de ser debatido até ao mais ínfimo pormenor. Mas debatido com entusiasmo e com um grau de detalhe dispensável.

2. Evitar tudo por tudo, que a conversa vá parar ao tema: filhos. Empurrar a conversa para outros tópicos. Tudo menos filhos. Porque se por acaso se ousa tocar no tema filhos, é assunto para três horas de conversa. E ninguém quer (a não ser evidentemente as mães) falar três horas sobre filhos, crianças e doenças da miudagem em geral.

Três coisas a não fazer, em tempo algum, quando se pinta uma divisão. Conselho de amiga.

1. Confiar cegamente no vendedor.

Foi o que eu fiz. Cheguei, disse as medidas do meu quarto e o vendedor disse o número de litros que seriam necessários. Eu, na minha ignorância, se me tivessem dito 10L por parede não tinha duvidado. Não foi um número tão disparatado, mas cheguei ao final com o quarto todo pintado e metade da tinta na lata. True story.

2. Confiar cegamente nas mães.

As mães sabem tudo sobre tudo. Hidroponia? Claro. Época de acasalamento dos guaxinins? Sem sombra de dúvida. Renda de bilros? Na boa. Ora então, não hão-de estar a par de todo o universo cromático? Claro que sim. Foi o que eu pensei. Cheguei à loja com as cores em mente. Um rosa leve (qualquer coisa como o da cor Pantone) e cinzento. Pego no catálogo e quase que tenho um mini ataque cardíaco. O catálogo tinha milhentas cores. Eu indecisa por natureza recrutei a ajuda da minha mãe. Quando ela me vê com o catálogo aberto na escala dos cinzentos, diz que não, não é nada disso, que tenho é de escolher um lilás a fugir para o cinzento para aproximar ao rosa. Lá vou eu para a página dos lilases procurar qualquer coisa que se assemelhe vagamente ao que tenho em mente. Escolho um entre quinhentos, ou mais, e mando fazer a cor. Quando me entregam a lata fico ligeiramente desconfiada. Não era beeeeem aquilo. Mas penso positivo, deve ficar diferente na parede. Não ficou. Ficou qualquer coisa como um lilás-cor-de-vómito. Olhava para a cor e só me lembrava de vómito e ranho. Pouco promissor. Principalmente quando já era tarde, o quarto estava todo pintado e eu em desespero porque não era NADA daquilo. Entro num daqueles dramas femininos com pouca lógica e uma vontade estupidamente grande de chorar por causa da cor de uma parede. Volto à loja, desta vez mais resoluta em relação à cor e sabendo de antemão que não me ia deixar enganar pelas quantidades de tinta. Uns meses depois, escrevo-vos do meu quarto, com as cores certas nas paredes e um trauma com pinturas. Moral da história, na hora de escolher as cores não se deixem enganar. Nem mesmo pela omnisciência da vossa mãe.

3. Pensar: “Ah, isto é coisa para demorar um par de horas.”

Não cheguei a esse cúmulo, mas pensei que em dois ou três dias a coisa ficava despachada. Uma semana depois e o quarto ainda estava por pintar. Só dez dias depois concluí a malfadada tarefa. E não, o meu quarto não tem as dimensões do Palácio de Versalhes. Nem da Muralha da China. Mas entre despejar o quarto, forrá-lo a plástico, pintá-lo, limpá-lo e voltar a pôr a mobília lá dentro… Sim, precisei desse tempo todo. Convém dizer que durante estes dez dias houve vida para além do quarto e das tintas.

fanfiction-one-direction-louise-1224068,1710201322