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My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

My cup of tea

"You can never get a cup of tea large enough or a book long enough to suit me" C. S. Lewis

Sai amanhã...

Era para ser uma trilogia, mas num daqueles impulsos gananciosos da editora ou da autora, não sei, virou uma pentologia (sim, inventei). Que é como quem diz, uma coleção de cinco livros.

Se as fãs acérrimas da coleção lêem estas palavras chamam-me mentalmente (se não, verbalmente) todos os nomes obscenos que lhes vierem à cabeça. Mas na verdade, fico sempre com esta sensação quando se começam a forçar a saída de sequelas das coleções de sucesso.

Falo d'A Seleção. Já fiz review dos primeiros dois, que podem ver aqui e aqui. Já li o terceiro e o quarto, mas tenho as reviews em falta (se fossem só desses dois...). Entretanto, sai amanhã o culminar da saga, e apesar de ser uma aprecidaora moderada, estou com muita curiosidade em relação ao final, embora suspeite. Espero que a autora, no último livro, não tenho um qualquer devaneio, e se lembre que giro, giro, era dar um final completamente arrebatador e desajustado. Há livros em que eu até admito isso, estes não fazem, sem dúvida, parte desse grupo. Têm um fundo demasiado cor-de-rosa, amoroso, cutxi-cutxi e purpurinas. Um universo demasiado pink, em que são permitidos clichés, lugares comuns e cenas pirosas completamente irreais. Por isso, deixem-me usufruir feliz da irrealidade sem estragar muito.

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É esta a capa. E sim, sai amanhã em inglês. Em português há que esperar.

Leituras| A Elite

*Alerta Spoiler*

Second roun: A Elite.

Eu tenho um problema com segundos volumes de uma trilogia. Regra geral, o segundo livro tende a ser aquele em que tudo o que podia correr mal, corre mal. A Elite, por acaso, até é uma versão soft deste fenómeno.

Começa tudo bem. Eles estão juntos. O Maxon gosta da America e a America gosta do Maxon, embora ainda não tenha decidido se quer mesmo ficar com o Maxon. Eu posso ser indecisa, mas a America está noutra dimensão. É a superlativação deste problema. Por causa disso, é que há uma fase em que o livro começa a descambar. Eles começam a afastar-se e o próprio Maxon começa a ficar com dúvidas se quer mesmo ficar com a America. E é aqui que A Elite toma os contornos de um típico segundo volume.

Como a America não se decide, o Maxon começa a considerar a hipótese de escolher outra candidata. Convenhamos que ele não pode chegar ao fim da Seleção e concluir que a escolhida não está interessada nele. Por outro lado, a America alimenta simultaneamente uma relação com Maxon e Aspen. E no meio disto tudo, o Maxon ainda se acaba por envolver com a Celeste, outra das candidatas. Espetacular, não é? Nesta fase, apetecia-me saltar para dentro do livro e esbofetear cada um dos dois. Vocês têm de ficar juntos, ok?! Parem de ser parvos. Mas eles continuam a ser parvos, cada vez se afastam mais e mal falam um com o outro. Até que a America, numa espécie de vingança pessoal, decide expor um conjunto de factos confidenciais, que dizem respeito ao sistema de castas e foram descobertos graças ao Maxon ter confiado nela. E para piorar toda a situação, fá-lo televisivamente. A miúda, às vezes, fica a dever um bocadinho à inteligência. O rei, que é uma besta, e considera isso uma afronta, decide, obviamente, expulsá-la do palácio. Só que, depois de todo este imbróglio (palavra mais gira!), os rebeldes atacam o país e durante a fuga, a America e o Maxon acabam por fugir os dois e, por um feliz acaso, ficam trancados num dos abrigos. Nesta fase, já o livro está mesmo no fim. Esta é outra das características dos segundos volumes. Só mesmo, mesmo, mesmo no fim, é que a coisa dá a volta. E o segundo volume, acaba com eles juntos e felizes. Ok, não juntos e felizes, porque tem de haver material para o terceiro volume, mas menos afastados e menos infelizes.

Aspetos positivos do segundo volume:

Tem aquelas cenas românticas, fofinhas, cutxi-cutxi e tudo mais de deixar uma lagrimazinha no canto do olho.

Tem uma cena em que a America admite que não gosta de dançar e me levou a pensar “Se ela dança mal e arrebatou um príncipe, só podem estar reservadas coisas muito boas para a minha pessoa”. Posto isto, tenho de fazer uma pesquisa profunda nas famílias reais desse mundo fora.

Não é tão negativo como a maioria dos segundos volumes.

Não se concentra tanto na parte romântica da Seleção como o primeiro volume e explora mais os ataques rebeldes. Vai revelando a origem dos ataques rebeldes, o que dá alguma ação ao livro. Não muita, continua a ser cliché e romântico, mas permite a existência de outras dinâmicas.

Aspetos negativos do segundo volume:

É tão romântico, fofinho, cutxi-cutxi e tudo o mais que uma pessoa quase entra numa overdose de amor. Vamos com calma. No domínio do romance há cenas bonitas e há cenas pirosas. É uma linha ténue, facilmente transponível. As segundas fazem-nos corar de vergonha alheia. E não é o que nós queremos, certo?

Os ataques rebeldes podiam ter sido mais bem explorados. Não digo que descentrássemos da Seleção em si e passássemos a ter um relato minucioso dos ataques, mas acho que podia ter sido adicionado o fator suspense.

A poligamia. Está certo que eles andarem desencontrados dá ali alguma animação, mas escusavam de andar tão desencontrados entre eles os dois e tão suscetíveis a encontros com o resto do mundo.

Os nomes. Quem é que chama uma personagem de America?! Ainda pior, America Singer. Eu, pessoalmente, acho uma ideia péssima, tendo em conta que é uma personagem principal. E pelo Goodreads, não sou a única a achar.

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